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Foto: Ricardo Monteiro/Nexo

O novo colunista do ‘Nexo’ Humberto Laudares indica 5 livros que o inspiram para pensar desenvolvimento, desigualdade e crescimento

Por que alguns países crescem mais do que outros? Por que uns países crescem menos, mas são menos desiguais e a qualidade de vida é melhor? Como a geografia, história, o clima ou a biologia influenciam o futuro de uma nação? De que forma a política importa para o desenvolvimento? Finalmente, o que pode ser feito para colocar um país no rumo da prosperidade? Essas perguntas não saem da minha cabeça, sobretudo quando penso no Brasil. Por isso, esses são os temas que pretendo tratar na minha coluna no Nexo, da forma menos careta e mais contextualizada possível com nosso dia a dia - que anda punk.

Aqui vão indicações de 5 obras que me inspiram e também tratam desses assuntos:

Por que as nações fracassam: as origens do poder, da prosperidade e da pobreza

Daron Acemoglu e James Robinson

Desde meus tempos de aluno de graduação em Ciência Política, sempre fui curioso para entender melhor o papel das instituições no desenvolvimento de um país. O livro de Acemoglu e Robinson traz diversos exemplos e análises que respondem à pergunta: por que países com recursos naturais, geografia, etnia e idiomas iguais ou semelhantes apresentam resultados tão díspares em relação ao nível de riqueza de seus cidadãos ao longo do tempo? Por exemplo, por que ao atravessar a fronteira da Coreia do Sul para a Coreia do Norte, há mais pobreza e as pessoas são menos nutridas? Eles dão a resposta: instituições. O que o livro argumenta é que onde há instituições inclusivas tem mais chance de haver prosperidade do que onde há instituições extrativas.

A grande evasão: saúde, riqueza e as origens da desigualdade

Angus Deaton

Deaton, um dos economistas que mais admiro, mostra a complexidade de se entender as origens da desigualdade neste livro. Embora a desigualdade seja consequência do progresso, ela também inibe o progresso. Mas a desigualdade não se limita à renda. A desigualdade no acesso à saúde afeta diretamente o nível de bem-estar das pessoas. Deaton cita o exemplo de São Paulo: os paulistanos que têm acesso a hospitais de ponta tendem a viver mais e melhor do que aqueles que vivem na periferia a poucos quilômetros do centro - e dependem de serviços públicos (pelo menos, há algum!) precários. Há outras dimensões da desigualdade que não deixa as pessoas escaparem da pobreza, como de educação, liberdade, autonomia, dignidade e a política.

Armas , germes e aço: os destinos das sociedades humanas

Jared Diamond

Graças aos livros de Jared Diamond, o primeiro país que propus à minha esposa para passarmos a lua-de-mel foi Papua-Nova Guiné. Este livro é extraordinário. Diamond usa a história da humanidade para mostrar como a geografia, o clima e a biologia se interagem e impactam a forma das sociedades se organizarem social e economicamente, interferindo, por sua vez, na produção tecnológica e no desenvolvimento de longo-prazo. Ele inicia o livro em 11.000 aC e narra como a especialização na agricultura e na caça mudou as sociedades até então existentes. Diamond mostra como o Ocidente se tornou a região mais rica do planeta nos dias atuais, a partir da supremacia de sociedades agrícolas há milhares de anos, conquistas de novos territórios, disseminação de doenças, domínio da tecnologia bélica e genocídios.

O Capital no século XXI

Thomas Piketty

Piketty fala de várias coisas. Vou falar do que gosto mais. Os dados sobre a evolução da desigualdade de renda e de riqueza desde a Revolução Industrial são extraordinários. É muita história em poucos gráficos. A história recente mostra que, cada vez mais, poucos concentram muita renda e, sobretudo, riqueza. Curto como Piketty relaciona a ascendente desigualdade de riqueza como uma ameaça à democracia. Se a democracia é de todos, por que só alguns detêm a riqueza sempre? Essa sensação compõe o mal-estar revigorado das sociedades contemporâneas, que é um fermento para o crescente populismo no mundo.

Poor Economics: a radical rethinking of the way to fight global poverty

Abhijit Banerjee e Esther Duflo

Quando fui trabalhar no governo, logo depois de formado, sempre me intrigou saber por que as políticas públicas dão certo ou errado. Também, se um programa governamental não tivesse sido implementado, qual seria a diferença na vida das pessoas que hoje se beneficiam desse programa? O livro de Duflo e Banerjee responde a essa pergunta ao relatar, de forma didática e instigante, avaliações de impacto de programas de combate à pobreza em alguns países ao redor do mundo.

 

Humberto Laudares é especialista em política públicas e desenvolvimento. É Ph.D em Economia pelo Graduate Institute, em Genebra (Suíça), e mestre pela Universidade Columbia (Estados Unidos). Fez Ciências Sociais na USP e Administração na FGV de São Paulo. Trabalhou com políticas públicas em governos, no parlamento e em organismos internacionais. Para acompanhar sua página no Facebook: www.facebook.com/laudares. Ele passa a escrever no Nexo quinzenalmente às quintas-feiras, sobre política, economia e desenvolvimento.

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