Foto: Arquivo pessoal

Historiador, antropólogo, quadrinista e ilustrador indica títulos que abordam histórias nacionais e estudos sobre a sociedade brasileira

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Fenômeno recente nas prateleiras de quadrinhos nas livrarias os títulos que abordam histórias nacionais e estudos sobre a sociedade brasileira parece que vieram para ficar. Diversos autores, entre os quais me incluo com o meu recente álbum “Holandeses”, se debruçam sobre temas como escravidão, guerrilha, vida em favelas. São trabalhos que põem em xeque a história oficial e procuram novos pontos de vista para construir uma identidade nacional, ampliando a discussão antes acadêmica para um público maior por meio dos quadrinhos.

Cumbe

Marcelo D'Salete

Um estudo sério sobre a escravidão numa história sobre rebelião e liberdade que você não consegue parar de ler. Professor e mestre em História da Arte, Marcelo é animado como eu para assuntos ligados à história: sempre disposto a trocar informações bibliográficas ou um comentário sobre fontes.

Sendero Luminoso

Jesús Cossío

Este trabalho fala da história recente do Peru e do grupo Sendero Luminoso por meio de fatos apurados por uma Comissão da Verdade entre 2001 e 2003. Pessoa muito séria, o peruano Jesús traz os fatos de uma forma fria e metódica, mostrando o horror de uma forma clara e expositiva. Talvez para que nunca mais se repita. Imperdível; para fortes.

Tungstênio

Marcelo Quintanilha

Niteroiense, Marcelo atualmente mora em Barcelona onde trabalha. Suas histórias trazem o clima dos subúrbios cariocas, o ar abafado e com cheiro de maresia, reconstituídos de forma obsessiva até os últimos detalhes por meio das falas dos personagens e das imagens. Mas este livro especificamente não se passa no Rio e sim em Salvador. É um mergulho na sociedade baiana numa história que parece um thriller policial. O livro mereceu prêmio no conhecidíssimo Festival de Quadrinhos de Angoulême, na França e atualmente está sendo filmado pelo cineasta Heitor Dhalia.

Carolina

João Pinheiro e Sirlene Barbosa

Ele, o desenhista e roteirista; ela, autora de uma biografia sobre a personagem, professora e doutoranda em Educação. Por meio de uma delicada biografia em quadrinhos de Carolina Maria de Jesus, os autores trazem esse sujeito histórico inesperado que conta sua vida: negra, mãe solteira de três crianças, catadora de papel, moradora da favela do Canindé e escritora.

O Loto Azul

Hergé

Já vou avisando: este livro não tem nada a ver com as outras indicações. Nada de contemporâneo também. Mas tenho que ser fiel às minhas origens. Foi o primeiro livro de quadrinhos que li onde o autor, hoje falecido, põe o personagem ao lado dos chineses contra os japoneses e ocidentais imperialistas numa história emocionante sobre a amizade que me deixa engasgado cada vez que releio. Por isso termino estas indicações com Hergé: foi com ele que aprendi que a história pode ser contada a partir de um outro ponto de vista que não o da cultura dos vencedores.

 

André Toral é formado em Ciências Sociais (USP), tem mestrado em Antropologia (UFRJ), doutorado em História (USP) e pós-doutorado em História da Arte (Unesp). Trabalhou como consultor nas áreas de antropologia aplicada, indigenismo e história. Publicou sobre etnologia do Brasil Central, educação indígena, história do cone sul e iconografia dos séculos 19 e 20. Além da sua produção acadêmica, é artista plástico e autor de histórias em quadrinhos. Entre seus trabalhos destacam-se: “Adeus chamigo brasileiro” (Cia. das Letras, 2008), “Os Brasileiros” (Conrad/Ibep, 2009), “Curtas e Escabrosas” (Devir, 2011) e o recém-lançado “Holandeses” (Veneta, 2017). Atualmente é professor de estética e história da arte na Faap em São Paulo. Mais informações: site e currículo lattes.

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