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O Brasil e o mundo estão engordando. E rápido

O cenário mundial é de uma epidemia de excesso de peso e obesidade. Diferentes pesquisas demonstram essa tendência e apontam os culpados

O primeiro título sem nada

Brasil virou um país com maioria acima do peso na última década

O sobrepeso de uma pessoa é medido através do IMC (índice de massa corporal), um número calculado a partir do peso em quilos dividido pelo quadrado da altura em metros. Adotando o critério da OMS (Organização Mundial da Saúde), estão acima do peso ideal as pessoas que possuem IMC maior ou igual a 25 kg/m2. Pessoas obesas são aquelas com IMC maior ou igual a 30 kg/m2. Mais da metade (54%) da população do Brasil tem excesso de peso e 18% dos brasileiros são obesos. Os dados vêm do Ministério da Saúde e são coletados em pesquisa anual feita por telefone em todas as capitais do país e no Distrito Federal. Por meio de outra metodologia, a OMS também aponta essa tendência.

Fortaleza, Porto Velho e Manaus são as campeãs do excesso de peso

Obesidade aumentou em todos os países, mas velocidade do crescimento é desigual

No mundo, são 1,9 bilhão de adultos com excesso de peso e, entre eles, mais de 600 milhões são obesos. A proporção da população com excesso de peso e obesidade no Brasil é menor do que a média nas Américas, no Oriente Médio e no Pacífico Ocidental. No entanto, o aumento da proporção de pessoas com índice de massa corporal considerado acima do ideal está sendo mais rápido no país do que o crescimento médio de todos os continentes do mundo. Numa comparação país a país, o crescimento da população com excesso de peso no Brasil entre 2010 e 2014 só é menor do que a de 28 dos 194 países sobre os quais a OMS compilou informações.

Má alimentação engordou o mundo

Por que isso está acontecendo? É possível dizer que a epidemia global de sobrepeso e obesidade (termo da OMS) está ligada ao estilo de vida nos séculos 20 e 21, especialmente em relação aos hábitos alimentares. Os dados acima vêm da pesquisa Vigitel de 2014: o padrão de consumo de alimentos dos brasileiros não está favorecendo a manutenção do peso ideal. Especialistas chamam a atenção para a “dieta ocidental”, rica em gordura e açúcar, que vai se disseminando pelo mundo. Alimentos processados, frituras, doces e bebidas adoçadas vêm ocupando muito espaço na alimentação das pessoas e são os grandes responsáveis, não somente pelo sobrepeso, mas também pelo maior risco de se morrer jovem, como aponta estudo divulgado na American Journal of Medicine em 2013.

Homens têm mais sobrepeso, mas fazem mais exercícios. A culpa pode ser do álcool

Hábitos pouco saudáveis

A prática regular de exercícios físicos ou esportes é considerada uma aliada contra o sobrepeso. No entanto, no Brasil, os dados do IBGE, da PNS (Pesquisa Nacional de Saúde) de 2013, indicam que 46,0% dos adultos brasileiros não são ativos o suficiente, ou porque não praticam nenhuma atividade física ou porque praticam menos de 150 minutos de atividade física por semana (considerando os momentos de lazer, trabalho e deslocamento para o trabalho). Os homens são mais ativos do que as mulheres. No entanto, mais de um terço dos homens brasileiros consomem álcool uma vez ou mais na semana e mais de 20% deles relatam o consumo de 6 ou mais doses de álcool em uma única vez (o que é considerado consumo abusivo). Alguns estudos apontam que esse tipo de consumo de álcool colabora para o aumento do IMC, porque favorece o armazenamento de lipídios no organismo e, consequentemente, o ganho de peso.

Os problemas de peso aparecem já na infância

Obesidade infantil no Brasil

A tendência tende a continuar pelas próximas gerações. No Brasil, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República divulgou estudo em 2015 apontando que 7,3% das crianças de 0 a 5 anos eram obesas em 2006. A OMS calculou 42 milhões de crianças até 5 anos obesas no mundo em 2013. Se a tendência permanecer, em 2025, serão 70 milhões de crianças obesas com até 5 anos em todo o mundo. O problema cresce junto com a criança. Segundo os dados da POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares) do IBGE de 2008/2009, mais de 33% das crianças entre 5 e 9 anos tinham excesso de peso e mais de 14% delas eram consideradas obesas.

A alimentação das crianças também pode ser a causa do sobrepeso

Os hábitos alimentares também devem servir para explicar o problema de sobrepeso entre as crianças. A PNS verificou que mais de 32% das crianças com menos de 2 anos de idade consumiam refrigerantes e sucos artificiais e que mais de 60% ingeriam alimentos doces, como bolos, tortas, chocolates, balas, biscoitos ou bolachas doces regularmente.

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