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Bruno Covas e o PSDB: ‘voltar às origens é ser um radical de centro’

Ao completar um ano à frente da Prefeitura de São Paulo, político critica discurso do partido nas eleições, defende a expulsão de Aécio Neves e revê metas de João Doria

     

    Bruno Covas completou um ano à frente da cidade de São Paulo em 6 de abril de 2019. A marca veio acompanhada da reformulação do Plano de Metas municipal. O vice que virou prefeito mudou objetivos do antecessor, João Doria, que renunciou em 2018, com apenas 15 meses de administração, para concorrer ao governo do estado. Além das mudanças, Covas criou novas metas, que terão de ser cumpridas até o fim de 2020, quando acaba seu mandato.

    O prefeito de 39 anos aumentou os investimentos em zeladoria urbana. O orçamento anual para a área saltou de R$ 500 milhões para R$ 1,5 bilhão. Entre as medidas anunciadas está o plano de tapar 540 mil buracos de rua, o que exigirá da prefeitura fechar 800 deles por dia, todos os dias, até o fim de 2020. Ao mesmo tempo, reduziu a meta de construir 72 km de corredores de ônibus. Agora, seu horizonte é fazer apenas 9,4 km. Falta dinheiro, segundo o tucano.

    Foi um congelamento de recursos, aliás, que levou, o então secretário de Assistência Social, José Castro, a entregar o cargo em março. Integrante do partido Novo, Castro saiu dizendo que havia uma precarização da sua área na administração, com corte de verbas. Covas nega. Fala em problema pontual. Não faltou dinheiro, sustenta. O que houve foi um ajuste de gestão. Afinal, para o político do PSDB, a área social é prioritária, conforme afirma nesta entrevista ao Nexo

    Neto do ex-governador Mário Covas (1930-2001), fundador do PSDB, Bruno Covas administra a maior cidade do Brasil em momento de crise e divisão do partido. Enquanto Doria, seu antecessor no cargo, amplia poderes e se aproxima do conservadorismo do presidente Jair Bolsonaro, o prefeito alinha-se a antigos nomes tucanos, como Geraldo Alckmin e José Serra, adotando um discurso de resgate das origens da legenda. Doria se diz de “centro”. Bruno Covas defende um PSDB “radical de centro”, com uma agenda que vá além de apenas “prover segurança” e una a promoção da economia de mercado, com privatizações, a uma preocupação social. Leia abaixo:

    O sr. prometeu aumentar o investimento em zeladoria. Essa é a função central do prefeito da maior cidade brasileira?

    BRUNO COVAS Acho que a prefeitura precisa proteger as pessoas e cuidar da cidade. São esses os dois papéis que a prefeitura tem. Cuidar das pessoas em maior situação de vulnerabilidade e para isso estamos criando 85 mil vagas em creches, 2.000 vagas em repúblicas para pessoas em situação de rua e 25 mil unidades habitacionais, o dobro da gestão passada. Mas cuidar das pessoas não é a única atribuição. É também cuidar da cidade. São as duas questões que andam lado a lado.

    A prefeitura tem cuidado, hoje, mais da cidade do que das pessoas?

    BRUNO COVAS O Orçamento da Secretaria de Assistência Social é R$ 1,3 bilhão. O da Secretaria de Saúde passa de R$ 6 bilhões, e o da de Educação, de R$ 7 bilhões. A gente investe muito mais na área social do que em zeladoria.  

    O secretário de Assistência Social José Castro entregou o cargo em março falando em precarização e congelamento de verbas na pasta. Existe essa precarização?

    BRUNO COVAS O Orçamento da Secretaria de Assistência Social é R$ 1,32 bilhão. O que nós determinamos é que fosse feita uma revisão em todos os contratos da secretaria para verificar se há alguma gordura para poder atender mais a população. Não há nenhuma necessidade de retirar recursos da assistência. Mas a revisão permanente e periódica de contratos é um ato bom de gestão. Neste momento, deveria se fazer isso para se verificar se há algum desperdício para poder cuidar bem do recurso público. Acho que o secretário não entendeu direito a necessidade de fazer a revisão para poder cortar desperdício. Essa foi a orientação. É fazer mais sempre com menos.

    É possível fazer mais com menos? Na área social, inclusive? Como?

    BRUNO COVAS Não tenho a menor dúvida. Na área social, de assistência, educação, saúde. A todo momento você tem que fazer revisão. Porque, se deixar isso solto, não se tem controle de todos os R$ 60 bilhões. A todo momento se vai apertando a torneira para não deixar isso solto.

    O plano de construir corredores de ônibus foi reduzido de 72 km para 9,4 km. Qual a prioridade em relação à mobilidade urbana?

    BRUNO COVAS Quando o Plano de Metas foi feito havia uma expectativa de um crescimento econômico a partir de 2017 por conta da reforma da Previdência do então presidente Michel Temer. Essa reforma não veio, o crescimento não veio, e o país continuou estagnado em 2017 e 2018, o que fez com que a gente tivesse que fazer um ajuste no plano de investimento aqui da cidade de São Paulo.

    Não dá para a gente tirar recurso da educação e da saúde para poder investir em área de infraestrutura. O investimento [em corredores] é um investimento caro e a gente resolveu focar na manutenção do atual [sistema]. Reduziu a quantidade de novos corredores mas ampliou a quantidade de quilômetros que vão passar por uma requalificação. A gente resolveu focar em deixar bem aquilo que já existe.

    Mas qual a prioridade nessa área?

    BRUNO COVAS Reduzir o tempo que as pessoas levam para ir de casa ao trabalho. Isso significa uma melhora que deve se dar a partir do momento em que os novos contratos de concessão de ônibus sejam estabelecidos, com a revisão das linhas aqui de São Paulo, com a ampliação das ruas em que se passa ônibus, com a ampliação da quantidade de vagas em ônibus, com investimento em calçada, porque um terço dos deslocamentos são feitos a pé aqui na cidade. Vão ser R$ 400 milhões investidos em calçadas e mais R$ 300 milhões só na ampliação e requalificação da rede cicloviária. A mobilidade precisa ser vista como algo que vai muito além do carro. Precisa ser vista como uma preocupação na área do transporte público e também outras ações que podem ser complementares.

    A redução nos corredores não prejudica a prioridade, que é diminuir o tempo de deslocamento das pessoas?

    BRUNO COVAS Se você arranjar R$ 10 bilhões eu posso investir em mais corredores. Eu não tenho dinheiro para fazer mais.  

    O senhor quer alcançar a meta com outras alternativas?

    BRUNO COVAS Requalificando os atuais [corredores] já ajuda bastante. Há muitos corredores em situação deteriorada em que o ônibus não atinge a velocidade que deveria atingir. Também é um bom ato de gestão.

    Em 2017, Doria chegou a dizer que a cracolândia havia acabado, mas nenhum prefeito conseguiu fazer isso. Agora, o senhor promete reduzir em 80% o número de usuários de drogas nas ruas. Como vai fazer isso?

    BRUNO COVAS Em 2017, o que o prefeito João Doria comemorou foi em relação às áreas controladas pelo tráfico. Havia alguns quarteirões em que o poder público era proibido de entrar. Não poderia nem mesmo entrar até para fazer coleta de lixo. Eram áreas completamente dominadas pelos traficantes. Isso acabou, isso não tem mais. Ainda tem as pessoas em situação de dependência, mas o poder público entra ali, seja com as equipes de limpeza, de saúde, de assistência social. Esta foi a vitória feita em 2017. Neste primeiro semestre de 2019, vamos ampliar o programa Redenção, e a gente pode fazer um dia uma entrevista só sobre esse tema. Eu não quero aqui furar seus colegas dizendo como é que nós vamos ampliar esse programa. Vamos ampliar ele para poder focar e atingir essa meta.

    São Paulo tem hoje cerca de 20 mil pessoas em situação de rua. Como o sr. pretende resolver isso?

    BRUNO COVAS Deve ser até mais, por isso inclusive resolvemos antecipar o censo que seria feito em 2020 para 2019. Passamos cinco anos de recessão econômica e quem paga a conta são os municípios. Com mais gente nas UBSs, com mais crianças nas creches e mais gente em situação de rua também. Nós vamos ampliar a quantidade de vagas em repúblicas. A grande demanda que a gente tem escutado da população em situação de rua é que não dá mais para resolver a questão com a criação de grandes centros onde 1.200 pessoas são tratadas como números. Ampliando a quantidade de vagas em repúblicas a gente consegue inclusive ajudar eles na jornada da autonomia. Porque é uma porta de saída para essa questão. Eles começam a participar no dia a dia, eles têm as suas regras [nas repúblicas]. Ao humanizar o atendimento a gente tem a expectativa de que a gente possa convencê-los a sair da rua. Hoje, a gente tem vagas disponíveis. O que não tem é o convencimento. Eles entendem que é melhor ficar na rua do que ficar nos espaços administrados pela prefeitura e pelas unidades parceiras. Então, alguma coisa tem de errado. Não dá para continuar a gastar tudo o que a gente gasta na secretaria de Assistência Social se o que a gente oferece não os convence a sair da rua. A gente espera que requalificando esses espaços e atendendo a própria demanda deles, a gente possa ajudar no convencimento da saída de rua.                  

    Qual a posição da prefeitura sobre as entidades que distribuem alimentos para pessoas em situação de rua?

    BRUNO COVAS Já é proibido por lei municipal que isso ocorra. É que realmente não tem como coibir porque é uma questão humanitária. As pessoas passam e ficam sentidas de verem as pessoas que estão na rua e não têm onde morar, o que comer. Claro que não dá pra sair proibindo algo que estão fazendo achando que vão ajudar aquela pessoa. A gente tem também um processo de convencimento de que, ao fazer essa distribuição dentro dos abrigos, elas também convencem as pessoas a sair da rua. A gente também entende que quem faz isso não quer prejudicar morador de rua. Está querendo ajudar. Mas muitas vezes acaba ajudando a perpetuar essa situação.      

    Como pretende lidar com o trânsito quando o Minhocão [elevado João Goulart] for fechado para virar parque?

    BRUNO COVAS Neste primeiro semestre de 2019, tanto a CET está terminando o estudo para ver que intervenções no viário vamos ter que fazer para poder adaptar por conta da transformação desse trecho — que vai da praça da Roosevelt até o largo Santa Cecília — em parque, quanto a Secretaria de Desenvolvimento Urbano está verificando que ações nós vamos fazer para evitar um processo de expulsão de pessoas de baixa classe social do centro da cidade por conta dessa requalificação. Essas são as duas grandes preocupações da prefeitura ao criar o parque. A questão do viário e das pessoas que moram ali e não podem ser expulsas pela especulação imobiliária. Essas duas questões a gente espera resolver no primeiro semestre. No segundo, [pretendemos] iniciar os editais para as construções. No primeiro semestre de 2020, [vamos] iniciar a construção e entregar para a população no segundo semestre do ano que vem.

    Haverá a demolição de algum trecho do Minhocão?

    BRUNO COVAS A transformação que vamos fazer é do primeiro trecho, da Roosevelt até Santa Cecília. O segundo continuará a ser utilizado como viário. E aí o prefeito que assumir em 2021 vai decidir o que fazer com esse segundo trecho, se prolonga o parque ou se faz a demolição total ou parcial do segundo trecho. Lembrando que a gente já tem uma lei dizendo que a partir de 2024 ele não pode mais ser utilizado como viário. A gente acha que o bom resultado do primeiro trecho vai inclusive forçar quem venha a dar continuidade a esse segundo trecho. 

    O senhor vai tentar a reeleição?

    BRUNO COVAS Em 2019 a preocupação é com 2019. Se você quiser saber de 2020 pode voltar aqui em 2020 que eu lhe respondo.

    Parte do fracasso do PSDB na eleição de 2018 foi por conta da sua dificuldade em se posicionar

    Qual problema de São Paulo o senhor espera resolver até o fim do mandato, em dezembro de 2020?      

    BRUNO COVAS Política pública não é corrida de 100 metros rasos. É corrida de revezamento. Quero entregar a cidade melhor do que recebi. Por exemplo, questões como fila para creche. A gente tinha 60 mil crianças aguardando vagas, vamos criar 85 mil vagas. A questão das pontes e viadutos. Não tinha nem mesmo um raio-X das pontes e viadutos. Pessoas em situação de rua, Cracolândia, você tem inúmeras questões que a gente espera entregar melhor para o próximo governo. A zeladoria. Enfim. É difícil saber o que as pessoas lá na frente vão valorar como o que foi mais importante. Mas nosso plano de metas é bem ambicioso, com recursos já previstos de que forma nós vamos conseguir atingir essas metas, mas o que as pessoas vão achar mais importante é muito mais para ser avaliado pela população depois do que eu mesmo dizer isso foi o mais importante do meu governo.

    Mas o senhor gostaria de ser lembrado por alguma ação?

    BRUNO COVAS Na área social.

    Por algo específico nessa área?

    BRUNO COVAS Não, acho que daí qualquer questão na área social. Eu resolvi fazer política para poder mudar a vida das pessoas. Isso se faz na área social. Claro que cuidar da cidade é importante, mas isso não muda o dia a dia das pessoas, não transforma o dia a dia das pessoas.   

    O sr. defende uma volta às origens do PSDB. O que é exatamente isso? E como fazê-lo?

    BRUNO COVAS Parte do fracasso do PSDB na eleição de 2018 foi por conta da sua dificuldade em se posicionar. A população não entende direito o que pensa o PSDB, o que quer o PSDB, quais as bandeiras do partido. Essa volta às origens é muito mais em ser um radical de centro, alguém que tenha firmeza e convicção naquilo que acredita, mas permanece na linha ideológica, que é da crença da participação do mercado, e por isso o governo Fernando Henrique fez a privatização da telefonia, o governo Covas fez a concessão das estradas.

    Nós estamos fazendo aqui a concessão do Pacaembu, do Ibirapuera. É possível ter parcerias com o setor privado que podem ofertar serviços públicos mas não necessariamente feitos pelo poder público. Para que o poder público possa focar recurso e energia naquilo que é o essencial que vai muito além do que simplesmente prover segurança que é o que defende a direita tradicional. O poder público precisa, sim, ter políticas na área da educação, da cultura, da saúde, da habitação, da mobilidade. Acho que essa é a linha onde nós estamos dentro do espectro ideológico e voltar às origens significa ser mais enfático nessa defesa.

    Como o PSDB conseguiria alcançar isso?

    BRUNO COVAS Talvez com eleição [para a escolha do novo presidente nacional em maio], talvez com curso de qualificação. Essa nova executiva que toma posse, não só no município, nós vamos ter a renovação no estado e na União, tem aí toda condição de pensar internamente. Estou à disposição para ajudar no meu tempo livre, eles vão ter toda disposição de poder atingir essa meta de reinserir o PSDB dentro da sociedade.

    O sr. concorda com o discurso do Alckmin de que o partido tem que olhar para os pobres e para os trabalhadores?

    BRUNO COVAS Claro. Vai exatamente nessa linha que eu disse. A gente precisa ter parceria com o setor privado para cuidar daquilo que não tem sentido o poder público cuidar, para poder focar no essencial. Você não faz um programa de desestatização com uma finalidade em si próprio. Você faz como da mesma forma cuida bem do recurso público. Você tem preocupação com o equilíbrio fiscal para poder ter ação na área social.

    O outro motivo foi a ausência de ações quando quadros do PSDB surgiram em denúncias

    O sr. falou em ser radical de centro. Como fica o discurso mais conservador do Doria?

    BRUNO COVAS Pergunta para ele, ele vai dizer que é de centro.

    Houve uma aproximação dele com a onda conservadora que atingiu o país nas últimas eleições. Essa posição cabe nesse PSDB?

    BRUNO COVAS Quando ele foi prefeito de São Paulo [em 2016], ele criou praticamente 50 mil vagas nos dois primeiros anos da nossa gestão em creche, ele criou quase 2.000 vagas em CTAs [Centros Temporários de Atendimento], ele conseguiu colocar no mercado de trabalho quase 2.000 moradores em situação de rua, a preocupação dele foi na área social também. Não há nenhum conflito entre a atuação dele e o que pensa o PSDB. Ele vai fazer um governo no estado de São Paulo, como fez aqui, focado exatamente no que pensa o PSDB. Não há nenhum conflito entre as ações do governador João Doria e o que pensa o PSDB.

    Como avalia as suspeitas que recaem sobre os tucanos na Lava Jato? Alguns nomes deveriam ser afastados?

    BRUNO COVAS Eu disse que um dos motivos do fracasso do PSDB nas últimas eleições foi sua dificuldade de expor o que pensa. O outro motivo foi a ausência de ações quando quadros do PSDB surgiram em denúncias como essa. Teria que ter tido mais firmeza em suspender, expulsar. Não dá para esconder debaixo do tapete. Para fazer política precisa ter ética e apreço à democracia. Quem não tem ética ou apreço à democracia não serve nem mesmo para ser companheiro de partido. Não é porque está no PSDB que a gente vai fingir que não acontece. É claro que tem denúncias que precisam ser comprovadas. Mas, em alguns casos, tem áudio da pessoa pedindo dinheiro [caso de Aécio Neves, gravado pedindo dinheiro para o empresário Joesley Batista, sócio da JBS] . Aí não precisa talvez do processo terminar para mostrar que não é uma pessoa que serve para ficar no PSDB.          

    O que o sr. acha do caso Aécio Neves?

    BRUNO COVAS Acho que ele já deveria ter sido expulso do PSDB. Tem um áudio dele pedindo dinheiro. Não tem muito sentido a gente esperar o fim do processo. 

    O sr. foi criticado pelo MBL [Movimento Brasil Livre] por uma alegada guinada à esquerda. O sr. se considera um político progressista?

    BRUNO COVAS Normalmente quem se posiciona no centro, apanha da direita por ser esquerda e da esquerda por ser direita. A crítica eu vejo com naturalidade inclusive partindo de grupos que almejam chegar a um cargo tão importante quanto o de prefeito de São Paulo. Eu entendo que um governo como o da cidade de São Paulo precisa ser plural, precisa ser aberto. Eu não governo apenas para quem pensa como eu. Preciso governar para a cidade como um todo. Se a pessoa é qualificada, se é preparada, se está disposta a implementar o nosso plano de metas, pouco me importa se no passado ela tomou uma posição política diferente da minha.

    Não dá mais para qualificar as pessoas como sérias e honestas porque elas têm a mesma visão ideológica do que eu. Elas podem ser sérias e honestas e ter outra visão ideológica. Se elas estão comprometidas com o programa de governo não há nenhum problema em trazê-las para poder compor a Prefeitura de São Paulo. Foi assim inclusive quando o então prefeito eleito de São Paulo chamou a Soninha Francine para ser secretária [de Assistência Social], que tinha sido filiada ao PT, chamou o Daniel Annenberg para ser secretário [de Inovação e Tecnologia], que foi filiado ao PT, chamou o Wilson Poit [para a secretaria de Parcerias Estratégicas] que foi secretário [de Turismo] do Fernando Haddad, é natural que você monte um governo com pessoas que representam a sociedade como um todo. Eu não posso governar só para os meus, só com os meus amigos.

    E em relação ao termo progressista?       

    BRUNO COVAS É difícil classificar. Sempre está mais à esquerda ou mais à direita do que alguém. Tudo depende do referencial. A preocupação central de São Paulo é muito mais do que se o prefeito é de esquerda ou de direita, é muito mais se tem remédio no posto de saúde, se a rua está limpa, se tem vaga em creche. As preocupações ideológicas dizem muito mais respeito ao plano federal do que ao municipal. Você não tem limpeza de rua de esquerda ou de direita, você tem limpeza de rua. Essa é uma discussão sem fim. Deixe as pessoas me qualificarem do jeito que elas quiserem.

    A escolha do secretário da Cultura, Alexandre Youssef, se enquadra nisso?

    BRUNO COVAS É uma pessoa que tem todo o meu respeito, até porque saiu do PT quando surgiram as denúncias do mensalão. Ele viu que aquele era o sonho errado que ele estava sonhando. E aí resolveu sair do PT. A última candidatura dele foi pelo PV, partido que nos apoiou em 2016.

    O sr. promete reduzir em 13% as mortes no trânsito. A prefeitura vetou motos na pista expressa da marginal Pinheiro. O sr. pode rever as velocidades para alcançar a meta?

    BRUNO COVAS A questão da velocidade das marginais foi discutida com a população nas eleições de 2016. O candidato João Doria prometeu voltar a 90 km/h, a população o elegeu para ser prefeito e eu vou manter a promessa de campanha. Nós vamos atingir essa meta atuando em outros pontos da cidade, em outras avenidas que têm grandes índices de mortalidade e é por isso que cruzando os dados da secretaria de Transporte com a secretaria de Saúde nós vamos poder atuar com muito mais resultado do que simplesmente reduzir a velocidade das marginais. 

    O que o sr. acha da proposta do presidente Jair Bolsonaro de subir o limite de pontuação para a suspensão da CNH de 20 para 40 pontos?

    BRUNO COVAS Acho desnecessário. A perda da carta de motorista é sempre algo importante para as pessoas se adequarem às normas de trânsito como os próprios radares. Não havendo indústria da multa, ou seja, não havendo radares escondidos, eles servem para inibir as pessoas de ultrapassar a velocidade permitida. Eu tenho muito receio caso isso aconteça de que as pessoas fiquem liberadas para cometer infrações de trânsito.

    Existe indústria da multa?

    BRUNO COVAS Existia. Tanto que a gente tinha 11 milhões de multas aqui na cidade. A partir do momento que a gente passou a deixar claro onde estão os radares, isso caiu de 11 milhões para 8 milhões, e agora os radares têm uma função muito mais educativa do que a função de arrecadar.

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