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Profissão

Enid Rocha: do que o Brasil precisa e o que farei por isso

Enid Rocha é pesquisadora e, desde 2016, diretora-adjunta da Diretoria de Estudos e Pesquisas Sociais do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). É economista e doutora em ciências sociais pela Unicamp na área de transformações sociais e políticas públicas nas sociedades contemporâneas.

Este texto é parte de um projeto de breves entrevistas com membros da sociedade civil, que durante a campanha eleitoral vão falar de suas expectativas para o próximo mandato presidencial e apontar suas próprias ações na tentativa de contribuir para o futuro do país.

Do que o Brasil precisa nos próximos quatro anos?

“O Brasil precisa buscar o equilíbrio entre as dimensões econômica, social e ambiental para alcançar o desenvolvimento sustentável. A Agenda 2030 das Nações Unidas, com seus 17 objetivos de desenvolvimento sustentável, pode ser o plano de ação para o Brasil nos próximos quatro anos. Contempla temas como pobreza, saúde, educação, igualdade de gênero, água potável e saneamento, energia limpa e acessível, trabalho e crescimento econômico, indústria, inovação e infraestrutura, redução das desigualdades, cidades sustentáveis e meio ambiente. Transcende mandatos políticos e demanda planejamento de longo prazo.

No Brasil, não há como alcançar avanços econômicos, sociais e ambientais duradouros sem erradicar a pobreza em todas as suas dimensões. Sem promover educação, inovação e mudanças nos padrões de produção e consumo. Sem reduzir a desigualdade.”

E o que você vai fazer para isso, para além do voto?

“Em respeito às gerações futuras, estamos adaptando para o Brasil as 169 metas globais dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável para deixar aos nossos filhos e netos um país mais justo e sustentável. Em alguns casos, o Brasil pode fazer mais do que a meta global estipulada pela ONU. Em outras, teremos mais dificuldades, mas precisamos encontrar formas para continuar avançando.

Por exemplo, a ONU propõe erradicar a pobreza extrema no mundo até 2030, uma medida para pessoas vivendo com menos de U$1,25 por dia. Ora, nesse caso, o Brasil pode ir mais além. Nesse patamar, a proporção de pobres no país já é reduzida (em torno de 4%), em função do Programa Bolsa Família. Então a proposta é adotar a linha de pobreza internacional de U$3,20 per capita por dia, que melhor reflete o nível de desenvolvimento alcançado pelo Brasil. Esse novo valor seria mais plausível e exigiria um esforço mais significativo para o país.”

Com produção de Mariana Vick

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