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Profissão

Mariana Valente: do que o Brasil precisa e o que farei por isso

Mariana Valente é advogada e pesquisadora. É doutora em direito pela USP, diretora do InternetLab e integrante do Núcleo Direito e Democracia do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento). Atua com pesquisas e projetos em direito autoral, acesso ao conhecimento e à cultura, desigualdades de gênero e outras questões relacionadas a direitos e tecnologia. É autora e organizadora de livros como ‘Memórias digitais’ (FGV, 2017), ‘O corpo é o código’ (InternetLab, 2016) e ‘Da rádio ao streaming’ (Azougue, 2016). Foi pesquisadora e professora da FGV e coordenadora jurídica do Museu de Arte Moderna de São Paulo.

Este texto é parte de um projeto de breves entrevistas com membros da sociedade civil, que durante a campanha eleitoral vão falar de suas expectativas para o próximo mandato presidencial e apontar suas próprias ações na tentativa de contribuir para o futuro do país.

Do que o Brasil precisa nos próximos quatro anos?

“Não há avanço possível sem investimento em pesquisa, seja para ciência e inovação, seja porque políticas públicas comprometidas com direitos e com a superação das desigualdades abissais da sociedade brasileira dependem de dados e de produção de conhecimento.

Os órgãos de fomento à pesquisa encontram-se em situação calamitosa, mas não só eles: o incêndio do Museu Nacional nos alerta para a invisibilidade e o baixo investimento nos acervos onde se encontram nossos objetos culturais, nossos arquivos históricos, nossa produção bibliográfica. É memória e é o caldo de construção dos futuros possíveis a partir da informação.

Precisamos de investimento em preservação, mas, para além disso, o trabalho de pesquisa já tão precarizado e o conhecimento carecem da valorização radical de políticas e práticas de acesso a esses acervos, em especial se levarmos em conta o quanto se pode fazer hoje a partir de um dispositivo conectado à internet.

Precisamos de políticas de acesso aberto à produção acadêmica, de digitalização aberta de acervos em domínio público, de desenvolvimento de soluções comprometidas tanto com autores e criadores quanto com a disponibilização de obras culturais e científicas por toda parte – em especial as mais vulnerabilizadas social e economicamente. Essas políticas valorizam o que já foi criado, mas, principalmente, abrem imensas janelas para o futuro.”

E o que você vai fazer para isso, para além do voto?

“Sou pesquisadora e diretora do InternetLab, uma associação sem fins lucrativos que faz pesquisa social e jurídica sobre internet com foco em direitos fundamentais. Continuaremos produzindo pesquisa para políticas públicas que seja direcionada a diferentes públicos em diferentes linguagens e seja acessível a eles, sem barreiras, na maior extensão possível. Quero também que esse trabalho contribua para uma cultura de produção séria de conhecimento, que valoriza preocupações com a superação de desigualdades do ponto de vista temático, da comunicação e da construção mesma do conhecimento.

Seguirei também escrevendo, articulando e atuando nas redes de pessoas e organizações dedicadas às políticas de digitalização e disponibilização na internet, da forma mais aberta possível, os acervos de memória. Por exemplo, por meio do Creative Commons, projeto do qual faço parte, que nos próximos anos desenvolverá uma nova vocação a partir das nossas questões nacionais e regionais.”

Com produção de Mariana Vick

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