Ir direto ao conteúdo
Profissão

Lina M. Useche: do que o Brasil precisa e o que farei por isso

Lina Maria Useche Kempf é cofundadora e diretora executiva da Aliança Empreendedora, organização que apoia microempreendedores em comunidades de baixa renda em todo o Brasil. É formada em administração pela UFPR, tem pós-graduação em direito do terceiro setor pela Universidade Positivo, especialização em gerenciamento de organizações sem fins lucrativos pela Harvard Business School, nos EUA, e formação em empreendedorismo social e sistêmico pela Universidade de Cape Town, na África do Sul. É professora de empreendedorismo e inovação social na FAE Business School em Curitiba. É membro do Conselho Consultivo da Rede Global do Empreendedorismo no Brasil, do Instituto Akatu e da Asid (Ação Social para Igualdade das Diferenças) Brasil.

Este texto é parte de um projeto de breves entrevistas com membros da sociedade civil, que durante a campanha eleitoral vão falar de suas expectativas para o próximo mandato presidencial e apontar suas próprias ações na tentativa de contribuir para o futuro do país.

Do que o Brasil precisa nos próximos quatro anos?

“O Brasil é um dos países mais empreendedores do mundo. São mais de 48 milhões de homens e mulheres empreendendo no país. Mesmo com todas as dificuldades, os brasileiros empreendem e muito.

Quando olhamos com mais atenção para esses dados, vemos que 99% das empresas brasileiras são micro e pequenas, pouco mais da metade é liderada por mulheres e quase metade, por empreendedoras e empreendedores negros. Cerca de 70% desses empreendedores têm renda mensal até R$ 2,8 mil, e 50% deles têm entre 18 e 34 anos.

Olhando para essa realidade, nos damos conta que o estereótipo do empreendedor brasileiro está totalmente errado. Quando pensamos em empreendedorismo, pensamos em homens brancos de gravata, certo? Mas essa não é a imagem real do nosso país — e isso importa. Brasileiros e brasileiras em todos os cantos do país empreendem e querem empreender, mas eles não sabem que podem, nem se consideram empreendedores, pois existe um estereótipo que diz para eles que eles não fazem parte desse mundo.

Para o Brasil ser uma nação mais justa, ele precisa reconhecer as pessoas que fazem a roda girar. Os microempreendedores e microempreendedoras brasileiras são responsáveis por 25% do PIB e só no primeiro semestre de 2017 os micro e pequenos negócios geraram 327 mil novos postos de trabalho, enquanto as grandes empresas extinguiram 182 mil.

O Brasil precisa investir em cultura e educação empreendedora — não para empreender mais, mas para empreender melhor. Homens e mulheres, pretos, pardos, brancos, na cidade, na favela, no campo e na floresta empreendem buscando uma vida melhor e, assim, geram riqueza para sua família e comunidades. Eles precisam de apoio para crescer, precisam de apoio para desenvolver suas habilidades e precisam de orientação para navegar no mar tenebroso que é nossa legislação. É preciso olhar para esse microempreendedor, principalmente para aquele que ainda está na informalidade, pois nele está a chave do desenvolvimento econômico e social de que o Brasil tanto precisa. E esse é o Brasil que eu quero ver nos próximos anos.”

E o que você vai fazer para isso, para além do voto?

“Sou apaixonada pelo empreendedorismo e pelo seu poder transformador, e tive o privilégio de conhecer empreendedores e empreendedoras que mudaram suas vidas e as de muita gente porque decidiram empreender.

Desde sua fundação, em 2005, a Aliança Empreendedora apoiou mais de 78.000 microempreendedores com capacitação, desenvolvimento de competências, acesso a mentoria e redes de contatos em todos os estados. Já somamos mais de 200 projetos realizados, cujos beneficiados são, em sua maioria (70%), mulheres. Mais de 60% são negros, 84% são informais e 80% pertencem às classes D e E.

Tem um ditado africano que diz que “é preciso uma aldeia para criar uma criança” — assim, é preciso um ecossistema para fortalecer os microempreendedores no Brasil. É impossível fazer isso sozinho.

Por isso, desde 2009, temos unido esforços com organizações do Brasil formando uma rede com a missão de apoiar os microempreendedores na base da pirâmide. Em 2017, lançamos um think tank para fortalecer esse ecossistema de empreendedores. Nos próximos anos, vamos seguir apoiando quem apoia o empreendedor, oferecendo informações, redes e o que for preciso para chegar na ponta com mais qualidade e impacto. Esse é nosso compromisso.”

Com produção de Mariana Vick

Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.

Você ainda tem 2 conteúdos grátis neste mês.

Informação com clareza, equilíbrio e qualidade.
Apoie o jornalismo independente. Junte-se ao Nexo!