Foto: Edgar Su/Reuters

A pandemia e os vídeos e lives: aprender para agora e para o futuro


Saber produzir um vídeo de forma rápida e com qualidade, saber ser influenciador na frente da câmera, saber postar os vídeos rapidamente nas diversas redes sociais se tornaram habilidades indispensáveis para se destacar nos tempos atuais

A facilidade de produção de vídeo está mudando a forma como as pessoas se comunicam e interagem no mundo. A evolução e a revolução das redes sociais baseadas em vídeo, o acesso a conexões de banda larga com maiores taxas de transmissão de dados e a custos acessíveis tanto nos celulares quanto nas redes cabeadas, os smartphones com quatro e até cinco câmeras, o aumento da quantidade de câmeras que filmam em todos os lugares são alguns fatos tecnológicos que facilitam a produção de vídeo por qualquer pessoa e em grande quantidade. Isso já estava acontecendo antes e independentemente da pandemia. Agora, a falta de contato presencial com clientes, pacientes, empregados, alunos, amigos e parentes está sendo compensada pelo vídeo.

A quantidade de pessoas criando canais e vídeos aumentou tanto que parece que todos agora são youtubers. Há mais de dez anos o youtuber começou a desbravar esse mercado e, como todas as demais disrupções, foi discriminado. Hoje, reconhecido como profissional visionário, é procurado como referência de conhecimento.

O poder influenciador da produção do vídeo saiu dos grandes conglomerados de comunicação e foi democratizado para todos. A internet, as redes sociais e as lives têm mais poder para criar uma grande marca ou para tornar uma pessoa famosa do que a eventual união de todas as emissoras de televisão do país. Com a pandemia, essa evolução se acelerou, paradigmas foram quebrados, muitas pessoas descobriram a melhoria da qualidade de vida proporcionada pelo vídeo. Teleconsulta médica, salas virtuais para aulas online ao vivo (também conhecida como “live class”), reuniões de trabalho virtuais são apenas o início da revolução pois a realidade virtual de massa ainda nem começou.

Para produzir um vídeo basta um smartphone, mas sai na frente quem se capacita nessa arte

Os advogados que sabem produzir vídeo, criar canais, se relacionar com seus seguidores nas redes sociais conseguem mais clientes e são mais bem-sucedidos. O mesmo se repete nas demais profissões. Quem tem mais seguidores, inclusive, consegue outras fontes de receita com propaganda, parcerias, recebendo até presentes para exibir nos seus vídeos.

Saber produzir um vídeo de forma rápida e com qualidade, saber ser influenciador na frente da câmera, saber postar os vídeos rapidamente nas diversas redes sociais se tornaram habilidades indispensáveis para profissionais se destacarem entre seus pares. O médico, o advogado, o professor e tantas outras profissões têm que mostrar seu conhecimento por vídeo para passar no crivo da audiência.

Ao postar o vídeo, o profissional pode analisar as informações disponibilizadas pelas redes sociais que mapeiam o perfil da sua audiência. Ele pode promover o vídeo com baixo custo ao focar no seu nicho de audiência que foi mapeado, sendo esse um diferencial estratégico. Ele pode descobrir até qual trecho do vídeo as pessoas repetiram mais e assim entender seu público. Os profissionais estão se reinventando e muitos estão se divertindo com a facilidade de produção do vídeo.

Pequenas empresas estão descobrindo que podem produzir vídeos de baixo custo, com alcance antes inimaginável, atingindo nichos de mercado carentes de produtos e serviços, e ainda concorrer com as grandes empresas. Vendedores comissionados estão aumentando as vendas e muitos vêm se tornando independentes produzindo vídeos.

Aprender a se empoderar na produção de vídeo já foi muito difícil e faz parte da história de muitos youtubers. Hoje, quem procura na internet encontra com facilidade cursos e professores para facilitar seu caminho para o sucesso na criação de vídeos para redes sociais, inclusive cursos em instituições renomadas.

O vídeo terá mais sucesso se tiver um roteiro coerente, um cenário planejado, uma informação relevante, que seja direcionado para um público-alvo, que tenha um protagonista empático e que se diferencie pela qualidade da edição. Para produzir um vídeo basta um smartphone, mas sai na frente quem se capacita nessa arte com tantas facilidades de produção desconhecidas pela maioria. Muitas vezes, o profissional tem uma ideia relevante para um vídeo impactante e deixa de postá-la por falta de conhecimento ou por perder a oportunidade de postar antes de seus pares.

O cliente, paciente, usuário também aprendeu a selecionar os profissionais por vídeo e a ausência de vídeos está gerando receio na contratação do serviço. O natural é que se procure os que têm mais seguidores, mas os clientes mais atentos analisam quem o profissional segue para saber se realmente ele é o melhor ou se tem outras opções que se encaixam no seu orçamento ou que têm mais empatia.

Pegos pela revolução da pandemia muitos profissionais misturaram seus canais pessoais com os profissionais e os problemas aconteceram ao expor sua vida íntima para seus clientes. Para os profissionais de sucesso, administrar os canais e redes sociais com tantos seguidores pode se tornar trabalhoso e alguns chegam a contratar assessoria de suporte, inclusive assessoria jurídica para se relacionar com audiências às vezes mais conflitantes.

Durante a pandemia as pessoas se assustam por estarem assistindo muitos vídeos, lives, reuniões virtuais, mas, ao mesmo tempo, reclamam que não conseguem acompanhar todos os excelentes vídeos que estão sendo criados. As pessoas agendam lives para não esquecer e registram links para assistir “lives” gravadas. A propagação da informação e do conhecimento está acelerando com o vídeo democratizado. Devido à pandemia, os médicos fazem lives com milhares assistindo suas orientações em debates ricos de conhecimento. Em seguida, a live gravada viraliza na rede, aumentando exponencialmente sua audiência nos dias seguintes.

E como será após a pandemia? O mais provável é que teremos um meio termo entre o que estamos vivendo agora e o que tínhamos antes. O crescimento do mercado de vídeo irá continuar, até porque já estava crescendo antes da pandemia. Muitas empresas estão falando que não serão presenciais como antes e que, inclusive, estão se desfazendo de seus escritórios. Com a teleconsulta, muitos pacientes tiveram a liberdade de encontrar médicos em outras cidades e que dificilmente deixarão de consultar após a pandemia. Os profissionais continuarão produzindo vídeos para as redes sociais pois não irão perder o mercado conquistado.

Alexandre Loureiro é coordenador da pós-graduação para youtubers, coordenador da pós-graduação em aplicativos móveis e coordenador técnico da incubadora de startups Iesb Lab (Instituto de Educação Superior de Brasília), é doutor, mestre e graduado em engenharia elétrica/telecomunicações pela UnB (Universidade de Brasília).

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