Foto: Shannon Stapleton/Reuters - 4.nov.2020

A luta pela equidade das mulheres deve ser de todos


Ainda que ouçamos constantemente que somos todos iguais, que temos os mesmos direitos, é fácil sabermos que isso não é verdade

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Já dizia Nísia Floresta, pseudônimo de Dionísia Gonçalves Pinto, uma das pioneiras das causas pelas mulheres brasileiras no século 19: “a esperança de que, nas gerações futuras do Brasil, ela [a mulher] assumirá a posição que lhe compete, nos pode somente consolar de sua sorte presente”. Essa é uma frase em que eu acredito muito e que, na minha visão, retrata muito bem o cenário em que qualquer mulher se encontra em nossa sociedade.

Mas esse cenário desigual nasceu bem antes da frase de Floresta. Basta uma simples pesquisa na internet para encontrar dados de que no período renascentista (séculos 14 a 16), o trabalho feminino já era considerado prejudicado. Elas precisavam trabalhar por pura sobrevivência e, ainda assim, recebiam menos que os homens na época. E isso aponta uma grande reflexão: por que ainda hoje, em pleno século 21, as mulheres ainda sofrem tanto preconceito na sociedade?

Não é de hoje que as mulheres estão sujeitas a cargas horárias de trabalho incansáveis. Vai além disso. Cuidar da casa, dos filhos, de si mesma. Uma quantidade de tarefas e demandas que, muito provavelmente, não é metade do que um homem tem por dia.

É importante destacarmos que os movimentos sociais atuam há décadas na sociedade e, até os dias de hoje, já geraram muitos avanços na condição da mulher. Mas a equidade – igualdade de oportunidades – ainda não foi alcançada. Muitas ainda sofrem pela violência de gênero e pela desigualdade no mercado de trabalho.

No mundo empresarial não é diferente. Os obstáculos para as mulheres são diversos, desde a dificuldade em conciliar a vida pessoal e profissional até o preconceito de gênero. Há alguns anos, um cliente estrangeiro da minha empresa veio ao Brasil. Eu me apresentei, mas me perguntaram onde estava o homem. Eu precisei esclarecer que era a CEO da empresa e mulher com orgulho.

Apesar dos avanços, a equidade ainda não foi alcançada. Muitas mulheres ainda sofrem com a violência de gênero e com a desigualdade no mercado de trabalho

As mulheres empreendedoras já somam mais de 30 milhões no Brasil, de acordo com a Global Entrepreneurship Monitor (maior estudo de atividade empreendedora no mundo). Esse número representa 48,7% do mercado. Somente em 2020, mesmo no período de pandemia, o empreendedorismo feminino cresceu 40%, segundo dados da Rede Mulher Empreendedora. Como presidente do conselho da WEConnect, percebo que há muitos desafios em encontrar mulheres que criem negócios incríveis e prepará-las para atender multinacionais. Por meio da organização, garante-se que as empresas globais comprem de minorias, lideradas por elas, em todo o mundo.

A cada dia, as pessoas precisam buscar histórias inspiradoras como a de Melinda Gates, por exemplo, que impressiona com os diagnósticos, como escolheu as causas que mudariam o mundo e, ainda assim, continua lutando pela transformação. No Brasil, Alcione Albanesi, da Instituição Amigos do Bem, é uma grande líder, mobilizando projetos sociais para o Nordeste brasileiro.

E a lista de organizações e instituições brasileiras que trabalham e defendem causas em prol da mulher não para por aí. É muito importante que saibamos destacar dois termos: equidade e igualdade. Seus respectivos significados são muito diferentes, porém, acabam sendo utilizados de forma similar diariamente pelas pessoas. Ao falarmos em equidade, estamos falando de justiça, de oportunidades iguais independentemente do gênero. Ainda que ouçamos constantemente que somos todos iguais, que temos os mesmos direitos, é fácil sabermos que isso não é verdade.

Segundo dados da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) de 2019, o número de mulheres no Brasil é superior ao de homens. A população brasileira é composta por 48,2% de homens e 51,8% de mulheres. Se temos uma população brasileira feminina maior em relação à masculina, por que sofremos tanto preconceito?

Vale ressaltar que, para combater tanto preconceito e desigualdade existem duas datas comemorativas em prol da mulher. A primeira é o Dia Internacional da Mulher, celebrado anualmente no dia 8 de março. E a segunda, e não menos importante, é o Dia Internacional da Igualdade Feminina, consagrado no dia 26 de agosto. Ainda que meras datas, é fundamental que nós mulheres, jamais esqueçamos que esse pode (e deve!) ser sempre nosso momento de manifestar sobre nossos direitos.

Não se sabe quantos anos levaremos para ter uma sociedade igualitária, mas um dia os erros históricos serão curados e seremos iguais. Somos do tamanho que quisermos ser. Não é apenas o gênero, é quem você é, curiosa, indignada, impulsionadora ou empreendedora. É preciso continuar lutando e encontrar os melhores pares para que a luta não seja solitária. Sempre chegaremos mais longe se estivermos em boa companhia. Lembre-se disso!

Mônica Schimenes é formada em relações públicas e fundadora e CEO da MCM Brand Experience.

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