Foto: Divulgação/Vem Pra Rua

Cenários para 2018: o que o Vem Pra Rua traz de novo


O ‘Nexo’ convidou movimentos novos de diferentes orientações políticas para que projetassem cenários para 2018. Neste ensaio, o Vem Pra Rua conta seus planos para o ano eleitoral

Temos, nos próximos 11 meses à nossa frente, a maior janela de oportunidade para a renovação política de nossa história recente. Essas próximas eleições serão diferentes de tudo o que já vimos: novos hábitos, muita tecnologia aplicada e exposição extrema através de redes sociais, além de uma sociedade plugada que está se aproximando cada vez mais da realidade política que vigora no país. Investigações têm desvendado a péssima e mal-intencionada condução da política em todas as esferas e a divulgação dos detalhes do maior esquema de corrupção do planeta têm feito sua parte. A rapidez, a capilaridade e o alcance de mídias sociais potencializam e catalisam a indignação popular. E isso deve impactar profundamente o comportamento eleitoral em 2018.

Devemos ter como consequência grande quantidade de votos de protesto, em volume talvez sem precedentes. Esses votos de protesto poderão se manifestar de diversas formas. Foquemos nas três mais relevantes: a primeira delas é o radicalismo e irracionalidade, com a escolha de candidatos que prometem mudanças sem qualquer lastro estratégico, capacidade de execução ou até ciência sobre sua real possibilidade de implantação. Disfarçados de “defensores do povo”, da democracia e dos direitos, esses votos serão a barreira para qualquer ação de modernização do país. O segundo grande grupo deverá optar por uma fuga, com votos nulos e abstenções – o que em última análise, permite que o que está aí continue. E a terceira leva, a única que poderá representar nossa real chance de mudança, deverá ser o voto de renovação, o voto consciente a partir de amplas pesquisas e busca de candidatos que estejam com boas propostas e capacidade de executá-las.

E como os movimentos sociais podem ajudar a sociedade? Canalizando essa energia da indignação com o sistema político atual e com a classe política tradicional para uma renovação efetiva, fazendo com que votos não migrem para as duas primeiras categorias citadas acima, mas sejam certeiros e volumosos na terceira via – no candidato responsável, com propostas sólidas e desejo de mudar.

O movimento não será omisso diante da possibilidade histórica de renovação do Congresso Nacional.  Renovação será trazer algo verdadeiramente diferente e que interrompa definitivamente os esquemas, as barganhas e o jeito velho de fazer política

O Movimento Vem Pra Rua se propõe a isso. Por se tratar de um movimento suprapartidário, um de seus principais objetivos é justamente incentivar a participação da sociedade no processo político e a responsabilização de políticos por seus atos, criando ferramentas de informação e conexão entre ambos, de forma a ser parte fundamental do processo que permite a mudança.

Desde o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, o Vem Pra Rua definiu o combate à corrupção e a renovação política como foco. O movimento não poderia ser nem será omisso diante da possibilidade histórica de renovação do Congresso Nacional.

Para aqueles que nos perguntaram o que faríamos com os resultados dos nossos mapas de acompanhamento das votações parlamentares, aqui está a resposta: os dados estarão de volta, compilados e acrescidos de outros para esclarecer o eleitor. Em parceria com o Ranking dos Políticos, que vem fazendo um excelente trabalho no monitoramento parlamentar há anos, e o movimento MUDE, foi criada uma plataforma que aponta os piores políticos de nosso Congresso, por meio da análise do posicionamento desses parlamentares em todos os momentos decisivos pelos quais o Brasil passou nos últimos três anos, lembrando aqueles que se eximiram de tomar posição, se esconderam ou até os que usaram o momento para outros fins, barganhando dinheiro, favores ou cargos. Ou seja, vamos mostrar se o parlamentar atuou em prol de melhorias do país ou se trabalhou somente para si próprio.

O eleitor terá acesso a informações, compiladas e organizadas de forma didática a fim de criar um relatório completo e consistente da atividade parlamentar.

Para garantir maior eficiência, esse instrumento será divulgado de forma geolocalizada, nos redutos eleitorais de cada parlamentar. Cada eleitor receberá a informação que lhe será útil e esclarecedora para tomada de decisão na hora do voto. Esse projeto foi apelidado de “TchauQueridos” e tem por finalidade trazer informação relevante ao processo eleitoral, como um remédio para a memória curta do eleitor brasileiro.

Temos que tomar cuidado com os índices numéricos de renovação divulgados – que podem dar a impressão errada. Renovação numérica já existe hoje, mas quantidade não significa qualidade. Nem tampouco renovação. Renovação será trazer algo verdadeiramente diferente e que interrompa definitivamente os esquemas, as barganhas e o jeito velho de fazer política. Está claro que as reformas estruturais tão necessárias ao país dependem da renovação do Congresso. Sem ela, não haverá presidente, por melhor interlocução política que ele possa ter, que consiga aprová-las.

Para a necessária renovação, o Vem Pra Rua participa da Frente pela Renovação, que é uma coalizão de entidades reunidas em torno de uma Agenda de perfil centro-liberal apoiada nos seguintes pontos, entre outros:

  • Combate à corrupção
  • Fim dos privilégios
  • Responsabilidade fiscal/ controle da inflação
  • Redução do estado para maior eficiência
  • Foco do estado em saúde, segurança e educação
  • Aumento de representatividade política

A Frente buscará candidatos que se identifiquem com essa agenda e se comprometam com ela.

Todos os esforços que tenham a intenção de provocar a renovação política devem buscar trabalhar de forma integrada – já que estamos em busca do mesmo objetivo, e muitas vezes somos bastante complementares.

Ninguém vai conseguir sozinho vencer essa guerra contra o sistema político atual – que tem tentado se defender como pode. É necessário buscar convergências. Se focarmos apenas nas diferenças, iremos permitir que uma corja de 20 mil pessoas continue a dominar o país.

Não podemos permitir que isso aconteça. Não iremos permitir.    

Adelaide Oliveira é porta-voz do Movimento Vem Pra Rua, grupo  suprapartidário fundado em 2014.

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