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Cenários para 2018: o que o Acredito traz de novo


O ‘Nexo’ convidou movimentos novos de diferentes orientações políticas para que projetassem cenários para 2018. Neste ensaio, o Acredito se apresenta e conta seus planos para o ano eleitoral

“Todo político é corrupto”. “Política não presta”. “Quem chega lá se corrompe”. Infelizmente, o histórico de muitos dos nossos políticos alimenta com razão esses sentimentos. É mala de dinheiro, é dinheiro na cueca, é “pacto para estancar a sangria”. Nesse cenário, onde a descrença é geral, virar as costas é uma opção tentadora. Muitos seguiram por esse caminho nas últimas décadas. Nós acreditamos, porém, que a solução não está na negação da política, mas em sua reinvenção. Acreditamos em uma nova geração de políticos. Que use a tecnologia para aprofundar a democracia. Que tope o desafio de transformar essa indignação em ação coletiva.

Acreditamos na política como instrumento transformador da nossa realidade. Em mais e não menos democracia. Renovando não só pessoas, mas princípios e práticas. Essa renovação só vai acontecer, de fato, pelo caminho eleitoral. Porém, sem repetir práticas velhas e projetos personalistas. Essa nova geração traz como sua marca a participação coletiva. Apenas isso será capaz de nos blindar do individualismo dos candidatos da moda e dos donos de partido.

Um novo Congresso, com a cara do Brasil. Para isso surge o Acredito, um movimento de renovação nacional e suprapartidário. Já presente em 11  estados, nas cinco regiões do país, queremos candidaturas em 2018 com a verdadeira mistura de belezas e sotaques do Brasil. Candidaturas que ousam sonhar em um governo que não é balcão de troca. Onde clientelismo e coronelismo pudessem ficar para trás. Como?

Em um sistema fechado, eleitoralmente confuso e de baixo engajamento, só um choque de participação poderá nos ajudar a reinventar a democracia

O primeiro passo é a construção de uma agenda para o Congresso e não só para o Executivo. Não um conjunto de prioridades feita por um grupo de iluminados, mas fruto de uma escuta verdadeira. Juntar as visões de um Brasil plural, trazendo dados e evidências e rompendo a política dos achismos. Encontrar o caminho dos fatos em um país polarizado. A nova geração, que não gosta de hierarquia, tem a chance de construir uma agenda de fato participativa em uma política contemporânea.  

O segundo é o engajamento. Não é só mobilizar as pessoas em torno do que já acreditamos, mas empoderá-las a encontrar o caminho. Isso só se faz com muita gente. Organizar uma rede de voluntários a serviço do Brasil. A serviço da dignidade e igualdade de oportunidades a todas e todos os brasileiros. Pessoas comuns, conscientes do seu poder político se organizadas.

Essa renovação em 2018 enfrentará vários desafios. Entre eles, o radicalismo. Em meio a tanta corrupção e violência, propostas extremistas ganham força. Populistas com diferentes ideologias apelarão para a emoção com discursos “antissistema” e  respostas fáceis. Notícias falsas confundirão o eleitor e a disputa de narrativas promete nos distanciar dos fatos. Em um sistema fechado, eleitoralmente confuso e de baixo engajamento, só um choque de participação poderá nos ajudar a reinventar a democracia. Contrariar nossas crescentes tendências de abstenção. Reinventar a política como construção coletiva e não individual. Fazendo uma política de ideias e não favores.

Acreditamos que é na prática que vivemos os valores que defendemos. Fazemos, dentro do Acredito, o que gostaríamos de ver nos nossos partidos e candidatos. Fazemos a política que gostaríamos de ver. Praticamos transparência absoluta de doações e doadores. Definimos nossos posicionamentos através do diálogo entre nossos integrantes e a sociedade. Escolhemos candidatos por meio de prévias democráticas. Contra a apatia, engajamos a sociedade na internet e na rua. Principalmente, buscamos reduzir as barreiras de entrada de um sistema político fechado em si mesmo. Que possamos encontrar mais pessoas, grupos e movimentos que sejam hoje a política que sonhamos para o Brasil.

Renan Ferreirinha é cofundador do Acredito e líder do movimento no Rio de Janeiro.

Samuel Emílio é coordenador de engajamento do movimento Acredito.

Thaynara Melo é líder do movimento Acredito no Distrito Federal.

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