Coluna

Um ano depois: as lições do 6 de janeiro para o Brasil

    A invasão do Capitólio por apoiadores do então presidente Donald Trump traz duas lições importantes para o Brasil

    Há exatamente um ano, em 6 de janeiro de 2021, o mundo assistiu chocado a imagens inéditas: as da invasão do Capitólio por apoiadores do então presidente dos Estados Unidos Donald Trump. Insuflados pelo mandatário e seus acólitos, com base na mentira de que a vitória do democrata Joe Biden nas eleições de novembro de 2020 havia sido fraudulenta, milhares de pessoas invadiram a sede do Congresso norte-americano – onde tinha lugar a tarefa, essencialmente formal, de certificar os votos do colégio eleitoral que elege o presidente, com base no voto popular de cada estado.

    Aquele momento marcante contém elementos díspares. Por um lado, ele demonstrou a fragilidade de uma democracia antes tida como tão robusta como a dos Estados Unidos, com a interrupção da longa tradição de transferência pacífica do poder. Por outro, contudo, também ilustrou sua resiliência: a despeito do choque, o Congresso voltou a se reunir no mesmo dia e certificou a vitória de Biden, que tomou posse duas semanas depois.

    Nesse contexto, quais as lições que ficam daquele dia? O debate persiste nos EUA, mas a meu ver o 6 de janeiro deveria ocupar um espaço bem maior do que ele tem alcançado no Brasil. O que ocorreu nos EUA oferece uma amostra do que pode ocorrer num cenário de degradação democrática potencializada pela presença de um líder político de inclinação populista autoritária.

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    Filipe Campante é Bloomberg Distinguished Associate Professor na Johns Hopkins University. Sua pesquisa enfoca temas de economia política, desenvolvimento e questões urbanas e já foi publicada em periódicos acadêmicos como “American Economic Review” e “Quarterly Journal of Economics”. Nascido no Rio, ele é PhD por Harvard, mestre pela PUC-Rio, e bacharel pela UFRJ, todos em economia. Foi professor em Harvard (2007-18) e professor visitante na PUC-Rio (2011-12). Escreve mensalmente às quintas-feiras.

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