Coluna

Olavo, as mídias sociais e a polarização globalizada

    Olavo de Carvalho foi talvez o maior importador das tensões políticas norte-americanas para o Brasil. Sua trajetória ilustra como o novo ambiente de mídia engendra polarização e reduz as diferenças entre países

    Não se pode negar a influência de Olavo de Carvalho, morto no dia 25 de janeiro, no Brasil de hoje. De fato, não muitos personagens da vida brasileira contemporânea dariam motivo a um obituário de meia página no jornal americano The New York Times. Para além dessa influência, a meu ver em larga medida nefasta – haja vista seu papel na ascensão de Jair Bolsonaro à Presidência, bem como sua voz negacionista ao longo da pandemia –, a proeminência adquirida por Olavo é sintomática de algumas das forças fundamentais que vêm moldando o mundo contemporâneo.

    Em particular, a ascensão de Olavo de Carvalho à posição central que ele veio a ocupar no debate político brasileiro personifica o incremento da polarização negativa e, ao mesmo tempo (e de forma até paradoxal), a redução das distâncias culturais no mundo globalizado. Tal ascensão não teria ocorrido sem as novas tecnologias das mídias sociais, e dessa forma ela exemplifica como estas também estão por trás da polarização e redução de distâncias, no plano global.

    Se eu fosse resumir o impacto do chamado “olavismo”, eu diria que foi o de tornar o Brasil um pouco mais parecido com os Estados Unidos, em especial na dimensão política, naquilo que a política norte-americana tem de pior e mais corrosivo. Olavo foi, ao longo das últimas duas décadas, um vetor-chave da importação dos eixos em torno dos quais os EUA vêm se polarizando.

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    Filipe Campante é Bloomberg Distinguished Associate Professor na Johns Hopkins University. Sua pesquisa enfoca temas de economia política, desenvolvimento e questões urbanas e já foi publicada em periódicos acadêmicos como “American Economic Review” e “Quarterly Journal of Economics”. Nascido no Rio, ele é PhD por Harvard, mestre pela PUC-Rio, e bacharel pela UFRJ, todos em economia. Foi professor em Harvard (2007-18) e professor visitante na PUC-Rio (2011-12). Escreve mensalmente às quintas-feiras.

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