Coluna

O problema dos ‘presidentes-insurgentes’

    Políticos como Jair Bolsonaro subvertem, em parte, a lógica sob a qual presidentes respondem pelo desempenho de seus governos, e eleições são referendos sobre eles

    O cenário típico de uma eleição na qual um presidente concorre à reeleição é simples: um referendo sobre o incumbente. Enquanto um candidato sem experiência no cargo pode ser uma tábula-rasa sobre a qual diferentes eleitores podem projetar seus desejos e esperanças, após um mandato cumprido ele não pode se esconder do seu próprio desempenho ou da conjuntura econômica. Seja ele responsável por esta ou não, o julgamento do eleitor o espera.

    Isso coloca um desafio particularmente agudo para aqueles que foram eleitos como “caras novas”, em contraposição a um dado establishment político. Parece impossível repetir a estratégia na posição de presidente, que é a própria encarnação daquele establishment. Mas e se o presidente em questão se recusa a abandonar o papel de insurgente? Isso acaba por embaralhar o cenário, e arrisca interferir com o funcionamento das eleições como mecanismo disciplinador do comportamento dos políticos.

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    Filipe Campante é Bloomberg Distinguished Associate Professor na Johns Hopkins University. Sua pesquisa enfoca temas de economia política, desenvolvimento e questões urbanas e já foi publicada em periódicos acadêmicos como “American Economic Review” e “Quarterly Journal of Economics”. Nascido no Rio, ele é PhD por Harvard, mestre pela PUC-Rio, e bacharel pela UFRJ, todos em economia. Foi professor em Harvard (2007-18) e professor visitante na PUC-Rio (2011-12). Escreve mensalmente às quintas-feiras.

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