Coluna

O conhecimento como prática de resistência e luta

    Projetos de futuro e de acesso à educação das pessoas pobres negras e indígenas dependem de políticas públicas, de investimento e de compromisso com a educação

    Desde que passamos a ter ministros da Educação que são contrários à educação, comecei a pensar como eles conciliariam suas crenças com o sistema de cotas. Atentos à adesão da sociedade brasileira às políticas de incentivo e ingresso de pessoas negras, indígenas e pobres nas universidades públicas no país, também desconfiei que muitos deles (ministros e parlamentares) não suspenderiam ou até mesmo não defenderiam abertamente o fim do sistema de reserva de vagas. Em vez de derrubar o sistema de cotas, eles o deixariam lá, ainda que por um tempo, intacto. Eu desejei estar errada, mas, infelizmente, não estava. A estratégia seria outra, que é a que assistimos em curso: deixar a universidade agonizar ao ponto da sua quase inexistência, ao mesmo passo que deixam que os jovens negros, indígenas, quilombolas e pobres abram mão da universidade.

    Sem assistência e apoio, num país que ministros da Educação defendem abertamente que o acesso ao ensino superior deveria ser algo para os filhos e filhas das elites financeiras, jovens pobres abririam mão da universidade. Eis então o que vivemos agora.

    Segundo pesquisa “Avaliação das políticas de ação afirmativa no Ensino Superior no Brasil”, desenvolvida pelo Laboratório de Estudos e Pesquisas em Educação Superior da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), e pela Ação Educativa, um trabalho que envolve pesquisadoras e pesquisadores de diversas universidades brasileiras, inclusive aquela na qual leciono, a UFRB (Universidade Federal do Recôncavo da Bahia), a política de cotas teve papel fundamental no aumento do números de mais brasileiras e brasileiros com diploma universitário.

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    Luciana Brito é historiadora, especialista nos estudos sobre escravidão, abolição e relações raciais no Brasil e EUA e é professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. É autora do livro “Temores da África: segurança, legislação e população africana na Bahia oitocentista”, além de vários artigos. Luciana mora em Salvador com sua família, tem os pés no Recôncavo baiano, mas sua cabeça está no mundo. Escreve quinzenalmente às terças-feiras.

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