Coluna

Como cientistas comunicam seus achados

    Precisamos procurar alternativas para uma comunicação científica sem custos abusivos, mas com controle de qualidade

    Se a ciência é o que move o mundo para frente, a comunicação científica é o que move a ciência. Afinal, não adianta fazer uma descoberta super inovadora se só a pessoa que a descobriu souber deste novo conhecimento - é preciso dividi-lo para que a comunidade possa utilizá-lo.

    A comunicação de novo conhecimento sempre foi uma prioridade da humanidade. Antes da escrita, se dava pelo aprendizado prático, transmissão oral e demonstrações de viajantes, espalhando novas tecnologias. Com o advento da escrita, práticas científicas ocuparam posição importante no conteúdo dos documentos produzidos. Extensos livros médicos eram frequentemente reproduzidos laboriosamente à mão por escribas. Um exemplo são aqueles contendo os ensinamentos de Hipócrates e as práticas médicas detalhadamente descritas pelo estudioso persa Avicenna (c. 980 – 1037). Estes livros ganharam mais popularidade ainda com a criação da imprensa mecanizada no século 15, sendo reproduzidos amplamente e permanecendo em uso até meados do século 17.

    Mas a comunicação científica necessita de métodos para disseminar informações mais específicas que aquelas que compõe livros inteiros, prática feita historicamente por correspondências e encontros entre pensadores, onde se apresentavam achados novos em palestras e panfletos impressos. É destas produções de sociedades que nascem as publicações científicas modernas, descrições técnicas de avanços de conhecimento, colecionadas em revistas contendo trabalhos diferentes de vários autores. Em 1869, o cientista londrino Norman Lockyer se juntou ao dono de editora Alexander Macmillan e fundaram a Nature, revista de prestígio, que continua sendo impressa semanalmente até hoje. Sua importância pode ser ilustrada pelo fato de que Charles Darwin publicou cerca de 40 artigos nela. Esses artigos são parte das produções técnicas que constituem a base científica de seus livros.

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    Alicia Kowaltowski é médica formada pela Unicamp, com doutorado em ciências médicas. Atua como cientista na área de Metabolismo Energético. É professora titular do Departamento de Bioquímica, Instituto de Química da USP, membro da Academia Brasileira de Ciências e da Academia de Ciências do Estado de São Paulo. É autora de mais de 150 artigos científicos especializados, além do livro de divulgação Científica “O que é Metabolismo: como nossos corpos transformam o que comemos no que somos”. Escreve quinzenalmente às quintas-feiras.

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