Coluna

Quanto custa a segregação racial na burocracia?

    Trabalho recente de dois economistas sobre a chegada do presidente Woodrow Wilson ao poder nos EUA em 1912 nos ajuda a entender o que foi perdido com a discriminação

    Enquanto o Brasil progride com discussões sérias sobre representatividade racial no setor privado, há menos discussões sobre a falta de representatividade racial no setor público e suas consequências. Numa coluna antiga eu discuti como a identidade importa na provisão de serviços públicos e como a evidência empírica mostra que indivíduos pretos, por exemplo, mudam seu comportamento quando interagem com médicos ou professores que também são pretos. Aqui irei discutir um tema diferente: o custo da segregação racial em burocracias. Um trabalho histórico recente de dois economistas sobre a chegada do presidente Woodrow Wilson ao poder nos EUA em 1912 pode nos ajudar a compreender esses custos.

    Quando Woodrow Wilson chegou à Presidência americana em 1912 ele implementou uma política clara e direta de segregação racial na administração pública federal. Disfarçada como uma forma de reduzir “as arestas e fricções” existentes entre servidores públicos brancos e pretos, a política gerou na prática uma onda generalizada de discriminação racial. Como mostrou Eric Yellim em seu livro “Racism in the Nation’s Service: Government Workers and the Color Line in Woodrow Wilson’s America”, a partir de 1912 funcionários pretos eram rebaixados de suas posições, tiveram os salários diminuídos e foi imposto um “teto” para limitar a promoção de servidores pretos na burocracia federal.

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    Claudio Ferraz é professor da Vancouver School of Economics, na University of British Columbia, Canadá, e do Departamento de Economia da PUC-Rio. Ele é diretor científico do JPAL (Poverty Action Lab) para a América Latina. É formado em economia pela Universidade da Costa Rica, tem mestrado pela Universidade de Boston, doutorado pela Universidade da Califórnia em Berkeley e foi professor visitante na Universidade de Stanford e no MIT.

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