Coluna

Por um auxílio emergencial à altura da crise

    O maior risco que corremos agora continua não sendo o fiscal ou o inflacionário, e sim o da perda de um número ainda maior de vidas em meio ao colapso sanitário, social e econômico trazido pela pandemia

    Os números do PIB (Produto Interno Bruto) divulgados na quarta-feira (3) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostraram que a economia brasileira caiu 4,1% em 2020. A queda é a mais profunda desde o início da série anual em 1996, mas foi muito menor do que a observada em outros países da América Latina, como Argentina e México, e do que a que chegou a ser projetada para o Brasil em meados do ano passado. “Em termos relativos, nós tivemos uma performance muito boa. É uma comemoração comedida, uma comemoração conservadora, no sentido de que a retração do PIB foi muito abaixo do que foi estimada”, vangloriou-se o secretário Especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues. Faltou somente esclarecer que esse bom desempenho relativo se deu sobretudo pela destinação de recursos para o auxílio emergencial, muito maior do que o proposto pela equipe econômica no início da pandemia e do que está sendo desenhado para 2021.

    Laura Carvalho é doutora em economia pela New School for Social Research, professora da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo e autora de “Valsa brasileira: Do boom ao caos econômico” (Todavia). Escreve quinzenalmente às sextas-feiras.

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