Coluna

O impeachment é o caminho mais curto para a democracia

    Jair Bolsonaro não tem incentivo ou inclinação para desarmar a ameaça de violência que ele trouxe para o cenário político. Removê-lo por meio do impeachment é a única opção que permitiria antecipar a reconstrução do equilíbrio democrático

    Ainda que tentemos escrever sobre outros assuntos, a espantosa deterioração da democracia brasileira, exemplificada pelo recente 7 de setembro bolsonarista, força a retomada do tema. É cada vez mais claro que a alternativa no momento é entre um processo de impeachment que remova o presidente ou, na melhor das hipóteses, um longo e penoso caminho para tentar recompor as nossas combalidas instituições democráticas.

    Talvez aqui o leitor se pergunte: mas não está tudo bem agora? Afinal, Jair Bolsonaro assinou a cartinha ditada pelo ex-presidente Temer, jurando respeito a tudo e todos a despeito do “calor do momento”. Ele moderou, as instituições funcionaram, a Bovespa subiu, enfim: a democracia venceu!

    Acreditar nessa narrativa, infelizmente, requer ignorar o fato de que o equilíbrio político do Brasil pós-redemocratização foi fundamentalmente alterado pelo bolsonarismo. O que temos agora é um outro cenário, com claros traços não-democráticos, por conta da presença de um elemento que tinha desaparecido do jogo político: a ameaça de violência. Construir um novo equilíbrio democrático só é possível se essa ameaça for retirada do cenário, e isso não ocorrerá enquanto Bolsonaro for um ator político relevante.

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    Filipe Campante é Bloomberg Distinguished Associate Professor na Johns Hopkins University. Sua pesquisa enfoca temas de economia política, desenvolvimento e questões urbanas e já foi publicada em periódicos acadêmicos como “American Economic Review” e “Quarterly Journal of Economics”. Nascido no Rio, ele é PhD por Harvard, mestre pela PUC-Rio, e bacharel pela UFRJ, todos em economia. Foi professor em Harvard (2007-18) e professor visitante na PUC-Rio (2011-12). Escreve mensalmente às quintas-feiras.

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