Coluna

O futuro dos grandes centros urbanos no pós-pandemia

    Ainda que com mudanças importantes, o dinamismo das cidades continuará sendo um motor central da atividade econômica

    O Brasil se prepara para mais uma onda da pandemia – e já é difícil saber se para a terceira, a quarta, ou apenas para a uma continuação da maré cheia de mortes à qual o país parece ter se resignado. Enquanto isso, outras partes do mundo, com governos mais efetivos e/ou preocupados com a vida dos cidadãos, já vislumbram um retorno à normalidade, como resultado dos esforços de vacinação. Em países como os Estados Unidos, a pergunta agora é: como será esse “novo normal” que ora se desenha?

    Uma das grandes mudanças que a pandemia introduziu foi forçar milhões de pessoas a trabalhar remotamente. Claro que não foram todos, e longe da maioria das pessoas, mas segmentos importantes da atividade econômica – em particular as profissões de escritório que os americanos costumam chamar de “colarinho branco” (“white collar”) – viram-se repentinamente, por mais de um ano, trabalhando de casa.

    Isso produziu uma descoberta: quase despercebidamente, as tecnologias de videoconferência e a qualidade das conexões haviam melhorado tanto que o trabalho remoto se revelou surpreendentemente efetivo. Mais ainda, o receio de que estar longe do escritório seria um convite a um me-engana-que-eu-gosto improdutivo mostrou-se infundado. Ao contrário, sem a necessidade de perder tempo com deslocamentos até o local de trabalho, e mesmo dentro dele, a produtividade em alguns casos pode inclusive ter aumentado. Como sugerem os economistas José Barrero, Nick Bloom e Steven Davis, o trabalho remoto veio para ficar.

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    Filipe Campante é Bloomberg Distinguished Associate Professor na Johns Hopkins University. Sua pesquisa enfoca temas de economia política, desenvolvimento e questões urbanas e já foi publicada em periódicos acadêmicos como “American Economic Review” e “Quarterly Journal of Economics”. Nascido no Rio, ele é PhD por Harvard, mestre pela PUC-Rio, e bacharel pela UFRJ, todos em economia. Foi professor em Harvard (2007-18) e professor visitante na PUC-Rio (2011-12). Escreve mensalmente às quintas-feiras.

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