Coluna

No Brasil, tem negacionismo que cabe para todo mundo

    O comportamento negacionista é algo que nos atrai como povo, sem fazer distinção por cor de pele, classe social ou gênero — embora cada estrato tenha suas próprias motivações. Seria essa a ‘excepcionalidade brasileira’?

    Mais uma semana de recordes. Dia após dia aumenta o número de mortos pela covid-19 no Brasil. Foram mais de 30 mil óbitos só em fevereiro. Somamos mais de 265 mil vidas perdidas pela doença. As vagas nos leitos de UTI em boa parte do país acabaram ou estão acabando, inclusive nos hospitais particulares. Estamos à beira do colapso, se já não estamos vivendo um. Esse ambiente de desesperança e medo, que atinge qualquer pessoa ciente da gravidade do que vivemos e que ainda guarda dentro de si o mínimo de responsabilidade cívica e coletiva, aumenta ainda mais quando observamos o cotidiano das cidades brasileiras.

    Com o necessário endurecimento das medidas restritivas em Salvador, o que inclui toque de recolher, as ruas ficam desertas a partir de um dado momento do dia. Mas o silêncio em algumas dessas vias foi interrompido pelo manifesto motorizado de empresários e empresárias que não exigem vacinas, mas sim, e novamente, a abertura do comércio.

    Se há algo intrigante no comportamento negacionista, é o fato de que ele é geral, não diferencia classe social, cor de pele ou gênero. Suspeito, no entanto, que as motivações sejam distintas, embora legitimadas pelo mesmo fator.

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    Luciana Brito é historiadora, especialista nos estudos sobre escravidão, abolição e relações raciais no Brasil e EUA e é professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. É autora do livro “Temores da África: segurança, legislação e população africana na Bahia oitocentista”, além de vários artigos. Luciana mora em Salvador com sua família, tem os pés no Recôncavo baiano, mas sua cabeça está no mundo. Escreve quinzenalmente às terças-feiras.

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