Coluna

Dia da Consciência Negra: o protagonismo negro na luta antirracista

    Foram homens e mulheres negras que, durante décadas de luta, denunciaram a democracia racial e ofereceram ao país uma proposta de nação verdadeiramente democrática

    Chegamos a mais uma semana da Consciência Negra e até sábado, 20 de novembro, estaremos exaustes. Lutamos muito ao longo de décadas pelos chamamentos das escolas públicas, das associações de bairro, dos sindicatos e outras instituições populares. Estas são antigas parcerias que, ainda que anuais, sempre convocam a militância negra para dar uma palestra falando do racismo no Brasil.

    Recentemente, sobretudo desde a morte de George Floyd, essas organizações populares disputam lugar com novas instituições aliadas: escolas particulares, muitas delas de elite, empresas, veículos da grande imprensa que esperam que, gratuitamente e de uma só vez, a intelectualidade negra brasileira responda à sua curiosidade e fale das agruras do que é ser uma pessoa negra no Brasil. A depender do vínculo da instituição com uma perspectiva da vida negra como espetáculo, se chorarmos, melhor.

    A militância negra brasileira, desde os anos 1960 e 1970, enquanto defendia uma das suas pautas principais, que era denunciar a democracia racial, é a protagonista da luta antirracista. Foram mulheres e homens negros, organizadas na luta antirracista, que durante décadas ensinaram ao Brasil o que é ser negro no Brasil, e como o país trata as pessoas negras. Desafiaram a ditadura militar e enfrentaram a ilegalidade para contrariar a ideia de que vivemos num país da harmonia entre as raças onde todes somos misturades.

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    Luciana Brito é historiadora, especialista nos estudos sobre escravidão, abolição e relações raciais no Brasil e EUA e é professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. É autora do livro “Temores da África: segurança, legislação e população africana na Bahia oitocentista”, além de vários artigos. Luciana mora em Salvador com sua família, tem os pés no Recôncavo baiano, mas sua cabeça está no mundo. Escreve quinzenalmente às terças-feiras.

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