Coluna

A normalidade democrática já foi rompida por Bolsonaro

    O cenário político do Brasil no momento já leva em conta o fato de que um de seus atores centrais, o presidente Jair Bolsonaro, não considera a alternância democrática como a única opção possível

    O presidente Jair Bolsonaro já deixou claro que pretende colocar a eleição presidencial de 2022 sob suspeita. A cantilena do voto impresso nada mais é do que a desculpa da hora: não resta dúvida de que, fosse a medida adotada a despeito das dificuldades logísticas, isso não evitaria as acusações de fraude. Afinal, Donald Trump mostrou em 2020 que cédulas de papel não são qualquer obstáculo para narrativas conspiratórias.

    Essa perspectiva tem levado à pergunta de se teremos uma eleição normal no ano que vem, ou se algo como uma versão tupiniquim do 6 de janeiro norte-americano virá a se concretizar.

    Se haverá uma insurreição à moda trumpista ou não, é impossível saber. Afinal de contas, a ocorrência de tal evento depende, para não irmos mais longe, de Bolsonaro perder as eleições – o que está longe de certo. Mais ainda, provavelmente requer uma derrota relativamente apertada, que possa tornar minimamente sustentável o grito de fraude.

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    Filipe Campante é Bloomberg Distinguished Associate Professor na Johns Hopkins University. Sua pesquisa enfoca temas de economia política, desenvolvimento e questões urbanas e já foi publicada em periódicos acadêmicos como “American Economic Review” e “Quarterly Journal of Economics”. Nascido no Rio, ele é PhD por Harvard, mestre pela PUC-Rio, e bacharel pela UFRJ, todos em economia. Foi professor em Harvard (2007-18) e professor visitante na PUC-Rio (2011-12). Escreve mensalmente às quintas-feiras.

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