Coluna

Rio de Janeiro: desastre em câmera lenta

    A antiga capital do Brasil passa por um processo de degradação similar ao de muitas cidades americanas, mas de um modo unicamente carioca

    Neste último dia 1º de março, o Rio de Janeiro completou 455 anos desde a sua fundação. Em meio ao descalabro simbolizado pela crise da geosmina e pela quase inacreditável constatação de que o Carnaval carioca está em vias de ser superado por São Paulo, resta pouca dúvida de que a cidade já viveu dias melhores.

    É natural, nesse contexto, que os cariocas nos perguntemos como foi possível que o Rio decaísse tanto ao longo das últimas décadas. Parece-me, no entanto, que talvez devêssemos indagar por que o declínio vem sendo tão lento e gradual. Como é que uma cidade e um estado com problemas estruturais tão profundos, e tão mal administrados, ainda não colapsaram inteiramente?

    Penso nisso porque a história recente do Rio tem muito em comum com as trajetórias de decadência urbana em várias partes dos Estados Unidos. Tanto no Nordeste como no chamado Meio-Oeste americano, diversos centros urbanos passaram por um mesmo processo.

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    Filipe Campante é Bloomberg Distinguished Associate Professor na Johns Hopkins University. Sua pesquisa enfoca temas de economia política, desenvolvimento e questões urbanas e já foi publicada em periódicos acadêmicos como “American Economic Review” e “Quarterly Journal of Economics”. Nascido no Rio, ele é PhD por Harvard, mestre pela PUC-Rio, e bacharel pela UFRJ, todos em economia. Foi professor em Harvard (2007-18) e professor visitante na PUC-Rio (2011-12). Escreve mensalmente às quintas-feiras.

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