Coluna

Ocupa centro: uma saída para a saúde econômica do Rio

    Uma solução para reinventar a economia carioca, com baixo custo fiscal, está ao alcance: repensar o centro da cidade como área residencial

    O Rio de Janeiro acaba de defenestrar uma das piores gestões de sua triste história de descalabro administrativo, com a derrota do prefeito Marcelo Crivella no segundo turno das eleições municipais. Isso talvez convide algum otimismo, em meio à inenarrável catástrofe da pandemia que já ceifou a vida de algo como um em cada 480 cariocas.

    O presente é, no entanto, distópico. A faceta mais visível da crise, provavelmente, está no centro do Rio, como fica claro para quem ainda se aventura a caminhar por lá. A ociosidade econômica refletida em uma taxa de desemprego acima de 16%, somada ao trabalho remoto estimulado pela pandemia, traduz-se em prédios de escritórios vazios. Em meio a esses prédios, a ociosidade se manifesta, de forma particularmente aguda, na população de trabalhadores potenciais condenados a viver nas ruas.

    É preciso reconhecer, mais ainda, que os desafios que a cidade enfrenta vão muito além de fatores conjunturais. De fato, a taxa de desemprego atual reflete o impacto da covid-19, mas está bem acima da média nacional (14,4%), e dá seguimento a uma trajetória desfavorável, em comparação à de outras capitais, ao longo dos anos 2010.

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    Filipe Campante é Bloomberg Distinguished Associate Professor na Johns Hopkins University. Sua pesquisa enfoca temas de economia política, desenvolvimento e questões urbanas e já foi publicada em periódicos acadêmicos como “American Economic Review” e “Quarterly Journal of Economics”. Nascido no Rio, ele é PhD por Harvard, mestre pela PUC-Rio, e bacharel pela UFRJ, todos em economia. Foi professor em Harvard (2007-18) e professor visitante na PUC-Rio (2011-12). Escreve mensalmente às quintas-feiras.

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