Coluna

Notícias de Salvador: a branquitude baiana, suas escolhas e desilusões

    O tratamento especial, a afinidade e a deferência que brancos dedicam a outros brancos no mercado de trabalho é responsável por criar fantasias e histórias de terror

    No domingo à noite, ainda com dúvidas sobre o que escrever para esta coluna, resolvi me distrair assistindo à série “Lovecraft Country”, lançada este ano nos Estados Unidos. A série faz parte de uma tendência que, desde o filme “Corra!”, reflete uma decisão de cineastas negros daquele país — abraçar o gênero do terror. Misturando esse estilo com ficção científica, cineastas como Jordan Peele (que produz a série e dirigiu o filme) têm encontrado no terror uma forma de dar um recado aos racistas de plantão: viver numa sociedade racista e suportar a violência e a perversidade da branquitude é, para as pessoas negras, viver um pesadelo, e portanto um terror na vida real.

    Luciana Brito é historiadora, especialista nos estudos sobre escravidão, abolição e relações raciais no Brasil e EUA e é professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. É autora do livro “Temores da África: segurança, legislação e população africana na Bahia oitocentista”, além de vários artigos. Luciana mora em Salvador com sua família, tem os pés no Recôncavo baiano, mas sua cabeça está no mundo. Escreve quinzenalmente às terças-feiras.

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