Coluna

E o racismo, pode parar? O cuidado pessoal e coletivo como estratégia de sobrevivência

    Nos dados sobre a raça dos hospitalizados e mortos por covid-19 é possível analisar os silêncios e as pistas que revelam a desigualdade brasileira

    Na semana passada, saíram os dados com o perfil racial das vítimas no novo coronavírus nos Estados Unidos, confirmando aquilo que já esperávamos: se o vírus não respeita hierarquias de classe social e raça, ele se instala em sociedades altamente influenciadas por tais fatores, e a consequência disso estamos começando a perceber nos resultados desiguais dos efeitos sobre a saúde das pessoas.

    Chamou atenção das autoridades locais e estaduais o número de mortes entre a população afro-americana. Na pequena Nova York (geograficamente falando), a grande maioria dos casos se concentram nas regiões do Queens e Bronx (bairros de negros e latinos), chegando cada distrito a quase a metade de Manhattan, onde moram as elites da cidade.

    Em Milwaukee, onde a expectativa de vida média dos negros é 14 anos menor do que a da população branca, chega na faixa de 81% a porcentagem de afro-americanos mortos. Lá a população negra perfaz 26% dos habitantes. Assim como em Nova York, pessoas negras que buscam atendimento nos hospitais de Milwaukee encontram com um velho inimigo da sua saúde: o racismo estrutural. Diversos são os relatos das pessoas que são orientadas a voltarem para casa e se auto-medicarem.

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    Luciana Brito é historiadora, especialista nos estudos sobre escravidão, abolição e relações raciais no Brasil e EUA e é professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. É autora do livro “Temores da África: segurança, legislação e população africana na Bahia oitocentista”, além de vários artigos. Luciana mora em Salvador com sua família, tem os pés no Recôncavo baiano, mas sua cabeça está no mundo. Escreve quinzenalmente às terças-feiras.

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