Coluna

Do sal de quinino à cloroquina: pensamento mágico no Brasil

    A ciência evoluiu entre 1918 e 2020, mas a busca por receitas milagrosas continua a ter espaço, agora com a chancela do presidente da República

    Em 1918, o Brasil foi invadido pela gripe espanhola. A peste, como era então chamada, vinha de longe; ao que tudo indica, havia contaminado um quartel militar nos EUA e depois rumou para a Europa, onde fez mais baixas do que o próprio conflito bélico que assaltava o continente desde 1914. A doença não matou mais na Espanha; o país levou a pecha e o nome por mera circunstância histórica. Não havia entrado na Grande Guerra e, diferentemente dos países envolvidos no embate, não tinha preocupação em manter sigilo e a censura sobre a “estranha doença” que assolava as tropas de ambos os lados da contenda. Por isso mesmo ganhou, inadvertidamente, o nome da doença.

    Lilia Schwarcz é professora da USP e global scholar em Princeton. É autora, entre outros, de “O espetáculo das raças”, “As barbas do imperador”, “Brasil: uma biografia”, "Lima Barreto, triste visionário”, “Dicionário da escravidão e liberdade”, com Flavio Gomes, e “Sobre o autoritarismo brasileiro”. Foi curadora de uma série de exposições dentre as quais: “Um olhar sobre o Brasil”, “Histórias Mestiças”, “Histórias da sexualidade” e “Histórias afro-atlânticas". Atualmente é curadora adjunta do Masp para histórias.

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