Coluna

Coronavírus: como aliviar o grande choque econômico que se aproxima?

    As consequências da pandemia são difíceis de prever, mas é possível imaginar uma crise como nenhuma outra

    O Brasil está prestes a sofrer um dos maiores choques econômicos de sua história. Será um choque como nenhum outro já que, além dos efeitos diretos da pandemia de covid-19 na saúde de milhares de indivíduos, a produção e vendas em diversos setores da economia terão quedas enormes e de forma muito rápida. Teremos não só um choque de oferta causado pela indisponibilidade de trabalhadores e/ou falta de insumos (muitos vindos da China), mas também um choque de demanda como consequência da queda de renda, das políticas de distanciamento social e de mudanças nos padrões de consumo. Como bem descrito por um grupo de economistas portugueses que inclui Cátia Batista, José Tavares e muitos outros, "empresas não conseguirão pagar seus provedores e empregados, suas dívidas, seus impostos. Se empresas não produzem, não há geração de renda. Domicílios não conseguirão pagar aluguéis, cartões de crédito, escolas e outros serviços. Tudo isso acontecerá com uma grande proporção da economia e em muito pouco tempo, questão de semanas".

    Como devem responder os governos a uma crise como esta? Economistas de diversos espectros políticos concordam que políticas fiscais são fundamentais para amenizar o grande choque que virá. O economista conservador Greg Mankiw escreveu em seu blog que “há momentos para preocupar-nos com o crescimento da dívida do governo. Este não é um deles”. Porém, ele sugere políticas fiscais que tenham como foco a seguridade social, não a demanda agregada. Uma redução de impostos da folha de pagamentos, por exemplo, não terá efeito se muita gente não puder nem chegar até o trabalho. Sua sugestão é uma transferência de renda temporária e universal que amenize os efeitos na renda familiar. Algo semelhante em termos de transferências foi proposto por Bill Dupor do St. Louis Fed e pela economista Claudia Sahm do Washington Center for Equitable Growth, entre outros.

    O governo brasileiro parece ter finalmente entendido a gravidade da situação que se aproxima. A questão agora é definir de onde virão os recursos para as políticas fiscais necessárias para aliviar a crise

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    Claudio Ferraz é professor da Vancouver School of Economics, na University of British Columbia, Canadá, e do Departamento de Economia da PUC-Rio. Ele é diretor científico do JPAL (Poverty Action Lab) para a América Latina. É formado em economia pela Universidade da Costa Rica, tem mestrado pela Universidade de Boston, doutorado pela Universidade da Califórnia em Berkeley e foi professor visitante na Universidade de Stanford e no MIT.

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