Coluna

Como aumentar os custos de uma pandemia

    Ao ignorar as recomendações da ciência, o governo brasileiro trabalha sistematicamente para agravar o impacto humano e financeiro da crise

    Não há pandemia sem mortes assim como não há pandemia sem custos econômicos. O papel de um bom governo é reduzir tanto o número de mortes como o tamanho da recessão que acompanha a tragédia sanitária. Infelizmente, ao ignorar as recomendações da ciência e defenestrar dois ministros da Saúde em meio à pandemia, o governo brasileiro está caminhando para aumentar o número de mortes e a profundidade e a duração da recessão. É o pior dos dois mundos. A insistência em testar continuamente os limites das instituições democráticas, que levou à demissão de Sergio Moro, e a guinada em busca de apoio a qualquer preço nas figuras mais sombrias do Congresso indicam que o custo político de tamanha incompetência pode se tornar insuportável.

    Cristina Pinotti é graduada em administração pública pela EAESP-FGV e cursou o doutorado em economia na FEA-USP. É sócia da A.C. Pastore & Associados desde 1993. Antes trabalhou nos departamentos econômicos do BIB-Unibanco, Divesp e MB Associados. Concentra seus trabalhos na análise da macroeconomia brasileira, com ênfase em temas da política monetária, relações do país com a economia internacional, e planos de estabilização. Nos últimos anos tem se dedicado ao estudo da teoria da corrupção e da história da operação Mãos Limpas, na Itália. É autora de diversos artigos e livros. Escreve mensalmente às sextas-feiras.

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