Coluna

Carta para um jovem estudante que me viu lecionar

Do ponto de vista profissional, como professora, não há nada mais bonito do que assistir ao crescimento intelectual de alguém e ter feito parte desse processo

Existem intelectuais que não são professores ou professoras, e existem intelectuais que são. Da mesma forma, nem todo intelectual é acadêmico. Mas a verdade é que todos os três precisam de formação e investimento (financeiro e pessoal) para ser o melhor no que se propõem a fazer. É comum se dizer que qualquer uma ou qualquer um pode ensinar, mas ser professora ou professor é algo muito mais complexo.

Uma pessoa pode gostar ou não de ser professora, mas gostando ou não devemos admitir: ser professora dá trabalho. Além de uma graduação em um curso de licenciatura, lecionar exige anos de formação, investimento em livros e dedicação para formular ou testar metodologias. Ensinar é um desafio, pois é preciso entender como seus alunos e alunas aprendem, o que os faz querer lhe ouvir. Se esse fato for ignorado, a aula é um fracasso, e gera sofrimento para ambos os lados: para a professora que acredita que sua classe é incompetente por não lhe entender e para a classe por ter que suportar uma professora ou professor arrogante.

Essa forma de ensinar que faz com que o outro/outra deseje aprender é a regra de ouro da educação, e a isso chamamos de metodologia de ensino. Seu sucesso depende de entender aquilo que no outro desperta a curiosidade e o desejo de aprender. Quando uma professora entende uma sala de aula e aplica a metodologia certa: bingo! Tocamos (ou arrebatamos) a pessoa. Só se toca alguém quando ela ou ele é visto e é reconhecido como alguém cujo conhecimento é importante.

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Luciana Brito é historiadora, especialista nos estudos sobre escravidão, abolição e relações raciais no Brasil e EUA e é professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. É autora do livro “Temores da África: segurança, legislação e população africana na Bahia oitocentista”, além de vários artigos. Luciana mora em Salvador com sua família, tem os pés no Recôncavo baiano, mas sua cabeça está no mundo. Escreve quinzenalmente às terças-feiras.

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