Coluna

A realidade paralela da autocracia criada por Trump e Bolsonaro

    Mesmo em períodos de aparente calma na política, permanece a sensação de que estamos vivendo sob um governo anormal, com algo profundamente antidemocrático em curso

    Desde o reaparecimento do arredio Fabricio Queiroz, por coincidência ou não, o presidente Jair Bolsonaro tem sido bastante mais comedido em seus arroubos explicitamente golpistas. Em consequência, acalmou-se um tanto o debate sobre os riscos de ruptura democrática no Brasil, à medida que o espectro de uma intervenção explícita das Forças Armadas saiu das manchetes dos jornais.

    Permanece, contudo, a sensação constante de que estamos vivendo, senão sob um “regime de exceção” — o velho eufemismo tão frequentemente usado para descrever rupturas tradicionais — sob um governo de alguma maneira anormal, distinto daqueles a que nos acostumamos sob a Nova República.

    Essa sensação me é particularmente familiar, pois é a mesma que me assombra desde a ascensão do trumpismo nos EUA. Com quatro anos de experiência, ela continua tão ou mais vertiginosa quanto no momento em que Donald Trump desceu a escada rolante para anunciar sua candidatura. Sim, seguimos vivendo numa democracia, mas algo profundamente antidemocrático parece estar em curso. Ou estaríamos exagerando? Como saber?

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    Filipe Campante é Bloomberg Distinguished Associate Professor na Johns Hopkins University. Sua pesquisa enfoca temas de economia política, desenvolvimento e questões urbanas e já foi publicada em periódicos acadêmicos como “American Economic Review” e “Quarterly Journal of Economics”. Nascido no Rio, ele é PhD por Harvard, mestre pela PUC-Rio, e bacharel pela UFRJ, todos em economia. Foi professor em Harvard (2007-18) e professor visitante na PUC-Rio (2011-12). Escreve mensalmente às quintas-feiras.

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