Coluna

A punição do eleitorado de fato funciona?

    Não há evidências de que Bolsonaro tenha se convertido ao credo democrático. O presidente foi apenas derrotado pelos demais poderes da República

    A crença de que os eleitores punem o mau governo e recompensam seu sucesso está entre os maiores alicerces da teoria democrática. Nela, os eleitores se manifestariam por meio do voto retrospectivo: ao fazerem suas escolhas eleitorais, os cidadãos projetam o que seria seu futuro sob um dado governo, olhando para o que foi feito no passado. O mecanismo não requer que os eleitores sejam bem informados sobre o funcionamento do mandato. Tampouco requer que os próprios governantes tenham convicções democráticas. É suficiente que saibam que, havendo competição política, sua sobrevivência depende da aprovação dos eleitores, o que criaria incentivos para que fossem responsivos ao bem-estar dos cidadãos.

    Marta Arretche é professora titular do Departamento de Ciência Política da USP (Universidade de São Paulo) e pesquisadora do Centro de Estudos da Metrópole. Foi editora da Brazilian Political Science Review (2012 a 2018) e pró-reitora adjunta de pesquisa da USP (2016 a 2017). É graduada em ciências sociais pela UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), fez mestrado em ciência política e doutorado em ciências sociais pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), e pós-doutorado no Departamento de Ciência Política do MIT (Massachussets Institute of Technology), nos EUA. Foi visiting fellow do Departament of Political and Social Sciences, do Instituto Universitário Europeu, em Florença. Escreve mensalmente às sextas-feiras.

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