Coluna

A bomba-relógio do fim do auxílio emergencial

    Em um país tão desigual, não deixa de ser revelador que estejamos presos a um teto de gastos que não admite sequer a possibilidade de se obter recursos para a expansão da proteção social via tributação

    O fim do pagamento do auxílio emergencial a partir de janeiro de 2021 implica em uma retirada da economia brasileira de mais de R$ 250 bilhões transferidos pelo programa em 2020, um montante que supera 3,5% do PIB. Para além de atuar como um freio de mão para nossas perspectivas de recuperação, a não aprovação de um programa mais amplo de transferência de renda antes da virada do ano é o caminho para o colapso social: a perda substantiva de renda do trabalho na base da pirâmide viria subitamente à tona na forma de uma escalada nos níveis de pobreza e desigualdade do país.

    Laura Carvalho é doutora em economia pela New School for Social Research, professora da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo e autora de “Valsa brasileira: Do boom ao caos econômico” (Todavia). Escreve quinzenalmente às sextas-feiras.

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