Coluna

2020 num rabo de foguete (uma retrospectiva pessoal)

    Este ano parte sem deixar saudades. Mas lega uma lembrança forte e uma memória de cauda longa. Quem sabe seja hora de fazer da crise um propósito

    Finais de ano costumam gerar muita expectativa; dentre elas, a de que é chegada a hora de passar a vida em balanço. Nesses momentos rituais procuramos pensar no que fizemos e no que não fizemos. Nos desafios que conquistamos e naqueles que vamos empurrar para o ano seguinte. Nas amizades que cultivamos e até ampliamos e naquelas que deixamos para trás. Nos nossos acertos e erros, nas alegrias e nas tristezas, nas conquistas e nas decepções.

    Se costuma ser sempre assim, monotonamente assim, tenho certeza de que, este, será um ano diferente. Nos idos de 1977, Raul Seixas lançou o álbum chamado “No dia em que a Terra parou”. Não sei se foi premonição ou sorte do mago. Entretanto, de uma coisa eu tenho certeza: o tema nunca foi tão atual.

    2020 será lembrado como o ano da pandemia de covid-19, assim como 1918 ficou conhecido, na memória dos mais velhos, como uma espécie de marcador temporal: “No tempo da espanhola”, diziam eles. Da gripe espanhola.

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    Lilia Schwarcz é professora da USP e global scholar em Princeton. É autora, entre outros, de “O espetáculo das raças”, “As barbas do imperador”, “Brasil: uma biografia”, "Lima Barreto, triste visionário”, “Dicionário da escravidão e liberdade”, com Flavio Gomes, e “Sobre o autoritarismo brasileiro”. Foi curadora de uma série de exposições dentre as quais: “Um olhar sobre o Brasil”, “Histórias Mestiças”, “Histórias da sexualidade” e “Histórias afro-atlânticas". Atualmente é curadora adjunta do Masp para histórias.

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