Coluna

Um feliz Natal preto, bem preto!

    Como tratar de representatividade negra e de cotidiano real numa festa em que, mesmo do ponto de vista mercadológico, pessoas negras ainda são invisíveis? 

    Neste período natalino, fala-se muito em humanidade e a importância do amor e respeito a todos os seres humanos. Para as pessoas as quais a humanidade não é algo dado, e sim fruto de lutas, Natal também é época de afirmação.

    O coletivo Ouriçado Produções, formado por um grupo de artistas negras e negros baianos, trouxe uma “bem-humorada” e interessante paródia das chamadas natalinas da Rede Globo. Chamo de “bem-humorada” por ser irônica e porque, de certa forma, ridiculariza a harmonia irreal do elenco da emissora, que poderia se passar na Noruega ou no Leblon, ou em qualquer lugar onde negros não existam.

    Voltando à paródia do coletivo Ouriçado, denuncia-se o horror da vida das pessoas negras, que festejam o Natal ao mesmo tempo em que convivem com uma realidade de genocídio, de desemprego, de abuso e violência policial. A única certeza na encenação é que “a festa é luta e a batalha é nossa”, além das pessoas parceiras que quiserem juntar-se às pessoas negras na sua constante luta por reconhecimento da sua humanidade.

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    Luciana Brito é historiadora, especialista nos estudos sobre escravidão, abolição e relações raciais no Brasil e EUA e é professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. É autora do livro “Temores da África: segurança, legislação e população africana na Bahia oitocentista”, além de vários artigos. Luciana mora em Salvador com sua família, tem os pés no Recôncavo baiano, mas sua cabeça está no mundo. Escreve quinzenalmente às terças-feiras.

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