Coluna

Precisamos parar de desejar força para mulheres negras

    Desejar ‘força’ para quem está no olho do furacão é parte da história brasileira de naturalização das desigualdades e de não divisão das responsabilidades de violências estruturais

    A coluna desta semana é inspirada em uma mistura de sentimentos evocados pelo veto do presidente da República, Jair Bolsonaro, à campanha publicitária do Banco do Brasil, pela prisão de Rennan da Penha, acusado de “associação ao tráfico”, assim como pela repercussão da utilização das imagens de Marielle Franco em um desfile de moda. Entra na minha lista também o anúncio de autoexílio de Camila Mantovani da Silva. Ativista da Frente Evangélica pela legalização do aborto, a jovem de 26 anos anunciou a decisão de sair do país por medida de segurança diante das ameaças e perseguições a si e sua família. Aparentemente díspares, se pararmos para pensar, os assuntos possuem o mesmo “radical”, “raiz do problema”, se quisermos usar o conceito feminista de Angela Davis: o silenciamento e a desapropriação dos direitos de pessoas negras — em especial mulheres — à propriedade intelectual e material.

    Giovana Xavier é professora da Faculdade de Educação da UFRJ. Formada em história, tem mestrado, doutorado e pós-doutorado, por UFRJ, UFF, Unicamp e New York University. É idealizadora do Grupo de Estudos e Pesquisas Intelectuais Negras. Em 2017, organizou o catálogo “Intelectuais Negras Visíveis”, que elenca 181 profissionais mulheres negras de diversas áreas em todo o Brasil.

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