Coluna

Por que os populistas são tão afeitos ao esporte?

    Conquistas esportivas podem ter um efeito positivo sobre a identidade nacional dos países. E a construção dessa identidade (em particular, de quem está fora dela) é fundamental para o populismo

    O recente êxito futebolístico do Flamengo não passou despercebido pelo presidente Jair Bolsonaro ou pelo governador Wilson Witzel. Não sendo esse interesse necessariamente devido às preferências clubísticas de ambos, fica a pergunta: por que tamanha paixão tão repentina?

    Sob certo aspecto, a resposta parece óbvia: políticos procuram se associar a causas ou movimentos que são populares, na esperança de converter tal associação em votos. Dito de outro modo, é uma motivação semelhante à dos meios de comunicação que dão mais espaço na programação aos times de maior torcida.

    Não é preciso muita reflexão para concluirmos que essa é uma resposta incompleta. Primeiro, ela elide o fato de que, por mais torcedores que tenha o Flamengo, muitos há que não o são. Dado que muitos flamenguistas não apreciam os políticos em questão, e supondo que o “rubro-negrismo” de ocasião desperte grande antipatia nos torcedores rivais, é natural concluir que a aritmética não é favorável a essa estratégia.

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    Filipe Campante é Bloomberg Distinguished Associate Professor na Johns Hopkins University. Sua pesquisa enfoca temas de economia política, desenvolvimento e questões urbanas e já foi publicada em periódicos acadêmicos como “American Economic Review” e “Quarterly Journal of Economics”. Nascido no Rio, ele é PhD por Harvard, mestre pela PUC-Rio, e bacharel pela UFRJ, todos em economia. Foi professor em Harvard (2007-18) e professor visitante na PUC-Rio (2011-12). Escreve mensalmente às quintas-feiras.

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