Coluna

O populismo e o ataque às universidades

    O anti-intelectualismo é típico de governos autoritários que se sentem ameaçados pela liberdade de pensamento

    O presidente Jair Bolsonaro e seu ministro de Educação Abraham Weintraub abriram uma guerra à pesquisa e às universidades brasileiras na semana passada. O confronto começou com Bolsonaro dizendo que o MEC (Ministério da Educação) pretende reduzir os investimentos em cursos de filosofia e sociologia (humanas) e focar em "áreas que gerem retorno imediato ao contribuinte como: veterinária, engenharia e medicina."

     

    Depois disso, tivemos a declaração do ministro de Educação apontando para um corte de verbas de universidades federais por "balbúrdia" com foco na UnB (Universidade de Brasília), UFF (Universidade Federal Fluminense) e UFBA (Universidade Federal da Bahia). O ministro disse que "a universidade que em vez de procurar melhorar o desempenho acadêmico, estiver fazendo balbúrdia, terá verba reduzida". Após muitas reclamações e pressão da sociedade civil, o MEC voltou atrás e decidiu, no lugar de punir universidades por balbúrdia, cortar 30% de verbas de todas as universidades federais. Muitas bolsas de pesquisa do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico)   estão atrasadas e há rumores de que sejam cortadas de forma significativa.

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    Claudio Ferraz é professor da Vancouver School of Economics, na University of British Columbia, Canadá, e do Departamento de Economia da PUC-Rio. Ele é diretor científico do JPAL (Poverty Action Lab) para a América Latina. É formado em economia pela Universidade da Costa Rica, tem mestrado pela Universidade de Boston, doutorado pela Universidade da Califórnia em Berkeley e foi professor visitante na Universidade de Stanford e no MIT.

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