Coluna

O complexo drama da mídia e da democracia no século 21

    A utopia do acesso ampliado à produção e disseminação de conteúdo proporcionado pelas novas tecnologias rapidamente se converteu em um enorme desafio político de feições autoritárias

    Num passado distante – digamos, por volta de 2009 – uma revolução tecnológica de proporções históricas consolidava-se no cenário mundial da mídia e da disseminação da informação em geral. Sim, já nos havíamos então habituado à chegada da Internet e da World Wide Web, em particular. Mas o alcance dessas novidades (e da transformação por elas engendrada) estava sendo potencializado pela ascensão conjunta de fenômenos mais recentes: a banda larga, os smartphones e as redes sociais.

    Naqueles tempos inocentes, as perspectivas do impacto político e institucional dessa revolução não poderiam ser mais promissoras. Há muito sabíamos da importância da mídia no âmbito político, como propagadora das informações sem as quais a participação dos cidadãos, e sua capacidade de monitorar o comportamento dos governantes, tornam-se débeis. A Internet havia multiplicado em ordens de magnitude a disponibilidade de informação, e os smartphones agora colocavam tudo isso no bolso, e na ponta dos dedos, de um número crescente de pessoas.

    Mas, parafraseando os infames infomerciais dos anos 1990, não é só isso! As tecnologias de mídia convencionais – rádio, TV, jornais impressos – também democratizaram o acesso à informação, cada uma em seu momento. Elas, porém, impunham barreiras enormes à produção e à disseminação de conteúdo. Pouquíssimos controlavam o acesso a essas mídias convencionais e, portanto, concentravam enorme poder político. Isso não poderia ser mais claro do que em regimes não democráticos, que faziam da censura e do controle da mídia um elemento central de sua autopreservação. No entanto, mesmo em democracias consolidadas a questão do poder midiático estava sempre na ordem do dia.

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    Filipe Campante é Bloomberg Distinguished Associate Professor na Johns Hopkins University. Sua pesquisa enfoca temas de economia política, desenvolvimento e questões urbanas e já foi publicada em periódicos acadêmicos como “American Economic Review” e “Quarterly Journal of Economics”. Nascido no Rio, ele é PhD por Harvard, mestre pela PUC-Rio, e bacharel pela UFRJ, todos em economia. Foi professor em Harvard (2007-18) e professor visitante na PUC-Rio (2011-12). Escreve mensalmente às quintas-feiras.

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