Coluna

Lear e Jair: era uma vez dois reis

    Sobre os paralelos entre uma tragédia shakesperiana e o curioso caso de um reino tropical, seu chefe de Estado e seus três filhos

    “Era uma vez” um rei chamado Lear: um conhecido monarca da Bretanha, que tinha três filhas às quais devotava muito carinho. Com a maturidade e a velhice despontando, o soberano concluiu que era chegada a hora de ceder a coroa e dividir o reino entre suas três amadas filhas: Goneril, Regan e Cordélia.

    Goneril e Regan eram casadas com duques do reino, enquanto Cordélia, a caçula, era solteira, mas tinha ótimos pretendentes: o rei da França e o duque de Borgonha. Para medir a lealdade de suas filhas, Lear pede a elas que expressem em palavras a intensidade do sentimento que a ele devotavam. Esse seria, aliás, o critério que pautaria a divisão futura do reino.

    As duas filhas mais velhas combinam entre si e declaram amar o pai sem qualquer restrição, de forma a agradar e envaidecer o velho rei. Por sua vez, Cordélia, ética de caráter, explica a Lear que o respeita e admira da maneira como uma filha deve amar um pai: nem mais, nem menos. Tomado de raiva, Lear deserda e expulsa Cordélia de seu reino, a qual acaba casando-se com o rei da França, que se impressionara com a honestidade de sua futura esposa.

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    Lilia Schwarcz é professora da USP e global scholar em Princeton. É autora, entre outros, de “O espetáculo das raças”, “As barbas do imperador”, “Brasil: uma biografia”, "Lima Barreto, triste visionário”, “Dicionário da escravidão e liberdade”, com Flavio Gomes, e “Sobre o autoritarismo brasileiro”. Foi curadora de uma série de exposições dentre as quais: “Um olhar sobre o Brasil”, “Histórias Mestiças”, “Histórias da sexualidade” e “Histórias afro-atlânticas". Atualmente é curadora adjunta do Masp para histórias.

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