Coluna

Fique de olho nos governos fantoches

    Na história, tão recorrentes quanto os governantes escolhidos para atenderem aos interesses de quem os colocou no poder são os casos daqueles que se insubordinam e se mostram incontroláveis

    Estado fantoche é um termo consagrado na literatura histórica e da ciência política. A expressão designa nações cujos governos são por demais dependentes de outros países; mais regularmente, de potências estrangeiras. Por isso mesmo, e de uma maneira geral, esses são Estados que perdem sua autonomia decisória. Seus regimes e representantes são denominados, pelo mesmo motivo, como governos fantoches.

    Há também outros casos. Por vezes um Estado é criado por causa da intervenção de uma potência externa e permanece sob a soberania de outra nação. Esses são conhecidos como Estados segregados, e tornam-se facilmente fantoches uma vez que são apoiados e mantidos por uma outra nação. De toda maneira, e seguindo-se qualquer uma das definições, um Estado fantoche escapa à regra democrática, já que não possui legalidade jurídica, econômica e política próprias.

    Um exemplo clássico de Estado segregado foi o “Estado de Vichy”. O Marechal Pétain (1856-1951) atuou como chefe de Estado de 1940 a 1944, embora a partir de novembro de 1942 o regime tenha sido administrado como “Estado cliente” e, de facto, da Alemanha Nazista. A situação permaneceu dessa maneira até 1945, a despeito do governo de Vichy ter perdido sua autoridade já no final de 1944, quando os aliados libertaram toda a França.

    ASSINE O NEXO PARA
    CONTINUAR LENDO

    Tenha acesso ilimitado e apoie o jornalismo independente de qualidade

    VOCÊ PODE CANCELAR QUANDO QUISER
    SEM DIFICULDADES

    Já é assinante, entre aqui

    Lilia Schwarcz é professora da USP e global scholar em Princeton. É autora, entre outros, de “O espetáculo das raças”, “As barbas do imperador”, “Brasil: uma biografia”, "Lima Barreto, triste visionário”, “Dicionário da escravidão e liberdade”, com Flavio Gomes, e “Sobre o autoritarismo brasileiro”. Foi curadora de uma série de exposições dentre as quais: “Um olhar sobre o Brasil”, “Histórias Mestiças”, “Histórias da sexualidade” e “Histórias afro-atlânticas". Atualmente é curadora adjunta do Masp para histórias.

    Os artigos publicados pelos colunistas são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam as ideias ou opiniões do Nexo.

    Todos os conteúdos publicados no Nexo têm assinatura de seus autores. Para saber mais sobre eles e o processo de edição dos conteúdos do jornal, consulte as páginas Nossa equipe e Padrões editoriais. Percebeu um erro no conteúdo? Entre em contato. O Nexo faz parte do Trust Project.