Coluna

Da erva do diabo ao remédio da vovó

    O uso medicinal da maconha é uma realidade que não tem mais volta

    Passei o fim de semana no Rio de Janeiro, no Seminário Internacional de Cannabis Medicinal, um evento que lotou o velho Cassino da Urca de médicos, cientistas, agrônomos, pacientes, cultivadores, advogados, idosos e um bom número de amantes da planta polêmica.

    Saí de lá com uma certeza absoluta: o uso da cannabis (ou maconha, se você preferir um nome mais informal) para cuidar da saúde no Brasil já é uma realidade sem volta, queira o governo ou não. Indício disso é o apoio enfático ao evento de autoridades do mundo médico, acadêmico e farmacêutico. Estavam lá, por exemplo, a reitora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), a presidente da Fundação Oswaldo Cruz e a diretora da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) – todas conscientes da necessidade urgente de facilitar as pesquisas e o uso de cannabis na medicina.

    O assunto não é novo para mim. Escrevo sobre ele há mais de 15 anos. Ainda assim, estou voltando do Rio impressionado com o potencial dessa revolução que está começando na saúde. Diferentes tipos de maconha têm mostrado utilidade enorme em tratamentos de uma variedade enorme de males. A cannabis já revolucionou os tratamentos de dor crônica, um mal muitas vezes sem cura que afeta milhões no Brasil, e que infelizmente aguarda por boa parte daqueles entre nós que vivermos o suficiente: só os muito sortudos chegam sem dor à velhice.

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    Denis R. Burgierman é jornalista e escreveu livros como “O Fim da Guerra”, sobre políticas de drogas, e “Piratas no Fim do Mundo”, sobre a caça às baleias na Antártica. É roteirista do “Greg News”, foi diretor de redação de revistas como “Superinteressante” e “Vida Simples”, e comandou a curadoria do TEDxAmazônia, em 2010.

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