Coluna

Afinal, quando a economia vai bem, vai bem para quem?

    Nos Estados Unidos e no Brasil, realidade de famílias negras pobres é equilibrar empregos e orçamentos para tentar conseguir se sustentar em um quadro geral precário

    Aumentou o número de pessoas que vive abaixo da linha da extrema pobreza no Brasil no ano de 2018. São cerca de 13,5 milhões de pessoas – que representam 6,5% da população – vivendo com uma renda mensal abaixo de R$ 145. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), esse número vem aumentando progressivamente desde 2012.

    Podemos pensar que essa multidão de miseráveis é composta por pessoas desempregadas, mas não necessariamente. Quase dois milhões de pessoas que vivem em situação de extrema pobreza têm emprego, o que demonstra a precariedade das condições de trabalho. Assim, políticas públicas continuam sendo ferramentas importantes de combate à pobreza e à miséria, afinal de contas, a desigualdade histórica e escandalosa que acompanha o Brasil não pode ser tratada como efeito colateral do crescimento econômico. Mas cabe perguntar: a economia cresce para quem?

    Ainda sobre os dados do IBGE, a pesquisa revelou aquilo que já esperávamos: a maioria dessas pessoas que vivem com uma renda que representa cerca de um sétimo do salário mínimo vive na região Nordeste e mais de 10 milhões delas são negras. Arrisco aqui afirmar que essa realidade atinge, na sua maioria, lares chefiados por mulheres negras responsáveis pela renda de uma pequena comunidade, que compõem modelos familiares que extrapolam os limites do que vem a significar família no modelo patriarcal e nuclear.

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    Luciana Brito é historiadora, especialista nos estudos sobre escravidão, abolição e relações raciais no Brasil e EUA e é professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. É autora do livro “Temores da África: segurança, legislação e população africana na Bahia oitocentista”, além de vários artigos. Luciana mora em Salvador com sua família, tem os pés no Recôncavo baiano, mas sua cabeça está no mundo. Escreve quinzenalmente às terças-feiras.

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