Coluna

Uma feira de empreendedores

    Algumas reflexões sobre as duas grandes religiões contemporâneas e sobre o evento onde passei o fim de semana

    Socialismo e liberalismo são as duas grandes religiões contemporâneas, como bem notou Yuval Noah Harari na (auto?)biografia que ele escreveu da nossa espécie, “Sapiens”. Afinal, religiões são “sistemas de normas e valores fundados na crença em uma ordem super-humana”. As ideologias da era moderna não incluem divindades, mas, de resto, são iguaizinhas a qualquer outra religião, com seus livros sagrados, seu valor identitário, suas legiões de fiéis, suas visões de paraíso, seus dogmas, seus santos, seus demônios.

    Não que não haja méritos nas ideias de Karl Marx e Adam Smith, autores dos livros sagrados das duas religiões. Há, muitíssimos. Homens de seu tempo que eram (como aliás somos todos), acreditavam em ciência e se preocuparam em provar suas ideias, em vez de simplesmente exigir fé. Mas muitos dos princípios mais centrais de suas crenças são conceitos fictícios, mitológicos, coisas nunca vistas no mundo real – o comunismo perfeito com o qual socialistas sonham, ou o Estado mínimo imaginado pelos liberais, para citar dois exemplos.

    Gosto de muitas coisas no socialismo e no liberalismo (assim como gosto de várias no judaísmo e no budismo). Goste-se ou não, um acerto inegável do liberalismo é a crença no mercado, cujo poder realmente faz mover fluxos de riqueza que, se não forem bloqueados, podem irrigar de prosperidade o mundo todo. Hoje a ciência do século 21 sabe que o espaço é mesmo interligado por fluxos invisíveis de energia – não só as transações financeiras, mas também os nutrientes, o calor, as relações ecológicas, os laços afetivos –, mas, no século 18, essa ideia era muito pioneira e sofisticada.

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    Denis R. Burgierman é jornalista e escreveu livros como “O Fim da Guerra”, sobre políticas de drogas, e “Piratas no Fim do Mundo”, sobre a caça às baleias na Antártica. É roteirista do “Greg News”, foi diretor de redação de revistas como “Superinteressante” e “Vida Simples”, e comandou a curadoria do TEDxAmazônia, em 2010.

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