Coluna

Precisamos de políticas públicas com evidências

    O principal desafio quando falamos de políticas públicas é saber o que funciona e por que funciona. No debate brasileiro há muito achismo e ideologia, e pouco uso de dados e evidência robusta

    A adoção de políticas baseadas em evidências empíricas está crescendo no mundo todo. Infelizmente o Brasil ainda encontra-se na lanterna, tanto em avaliação das suas políticas públicas como no uso de evidência para subsidiá-las. Diversas discussões recentes como a redução da maioridade penal, a reforma trabalhista, subsídios a montadoras de automóveis, ou a reforma do financiamento de campanhas políticas se dão no vácuo de evidências e avaliações.

    A partir de hoje começo a escrever esta coluna no Nexo onde discutirei temas atuais relacionados a políticas públicas. O foco será em aspectos econômicos e evidências empíricas do Brasil e do mundo. A discussão incluirá temas variados, tais como redução da pobreza, melhoria da qualidade da educação, controle da corrupção, aumento da produtividade das empresas, melhoria na qualidade da saúde, e redução da criminalidade e violência.

    O principal desafio quando falamos de políticas públicas é saber o que funciona e por que funciona. No debate brasileiro há muito achismo e ideologia, e pouco uso de dados e evidência robusta. O que quero dizer com evidência robusta? Para falar sobre impactos de políticas públicas precisamos falar de causa e efeito. Ou seja, precisamos atribuir a uma política alguma ação que faz com que as pessoas mudem de comportamento após uma intervenção. O principal desafio do trabalho empírico é isolar essa relação de causa-efeito. Em estudos controlados feitos em laboratório, essa análise é feita por meio de experimentos. Nas ciências sociais, por outro lado, isolar essa relação de causa-efeito é mais difícil. Como podemos fazer isso?

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    Claudio Ferraz é professor da Vancouver School of Economics, na University of British Columbia, Canadá, e do Departamento de Economia da PUC-Rio. Ele é diretor científico do JPAL (Poverty Action Lab) para a América Latina. É formado em economia pela Universidade da Costa Rica, tem mestrado pela Universidade de Boston, doutorado pela Universidade da Califórnia em Berkeley e foi professor visitante na Universidade de Stanford e no MIT.

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