Coluna

Final feliz

    Por mais que a universidade não vá diretamente resolver os gravíssimos problemas que afetam a existência das comunidades negras, estar nela na “primeira pessoa” é indispensável

    Assistíamos empolgadas à mesa “Primeira pessoa”. Quando a colunista Ana Paula Lisboa comentou que “se não teve privilégios, teve os encontros que me proporcionaram cursar a universidade”, eu e minha amiga iniciamos uma conversa paralela. “Final Feliz é o nome de uma favela no Rio de Janeiro que pouca gente conhece. O acesso é de bote. As casas são de palafita. O lugar é assustador em termos de miséria, desumanização, entre elas a presença do tráfico”. Senti um arrepio imaginando como um lugar com características tão aterrorizantes poderia se chamar “Final Feliz”. Eu perguntei a ela: final feliz para quem? Olhamos uma para outra com cara de pois é. Era um lindo domingo de sol. Continuamos, atentas, ouvindo os palestrantes.

    ***

    Na semana passada, entre 6 e 11 de novembro, aconteceu no Rio de Janeiro a Festa Literária das Periferias. Em sua sétima edição, o evento que apresentou como tema “Cais do Valongo: a negritude brasileira”, reafirmou-se como um espaço político voltado para a visibilização das juventudes negras como produtoras de conhecimento e de projetos democráticos para a sociedade brasileira. Em seis dias de programação intensa, a #flup2018 trouxe mesas de debates, performances, além dos campeonatos nacional e internacional de slam, a poesia falada que representa um dos principais ícones de trabalho intelectual inovador e que se liga ao acesso de jovens negros às universidades públicas.

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    Giovana Xavier é professora da Faculdade de Educação da UFRJ. Formada em história, tem mestrado, doutorado e pós-doutorado, por UFRJ, UFF, Unicamp e New York University. É idealizadora do Grupo de Estudos e Pesquisas Intelectuais Negras. Em 2017, organizou o catálogo “Intelectuais Negras Visíveis”, que elenca 181 profissionais mulheres negras de diversas áreas em todo o Brasil.

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