Coluna

Como afastar nossos jovens do crime?

    Estudos quantitativos feitos nos EUA – e também no Brasil – mostram efeitos positivos de investimentos em educação e na criação de oportunidades no mercado de trabalho como instrumento de combate à violência

    O Brasil teve em 2017 o maior número de mortes violentas do mundo – foram cerca de 60 mil pessoas assassinadas. Morreu mais gente violentamente no Brasil do que em muitas das guerras civis que ocorreram na última década. Grande parte das vítimas são jovens, homens, negros e moradores de bairros pobres. Metade das mortes de jovens entre 15 e 29 anos no Brasil hoje é causada por assassinatos. O custo econômico e social dessa tragédia é exorbitante, como mostra o trabalho dos economistas Daniel Cerqueira e Rodrigo Soares.

    Como podemos parar esse massacre? O Brasil caminha na direção de uma política de encarceramento massivo, ao estilo dos EUA. O total de pessoas encarceradas já passa de 750 mil pessoas, e mais da metade dessa população é de jovens de 18 a 29 anos. Porém esse parece ser um caminho equivocado. Nos EUA, o aumento do encarceramento não parece ter gerado uma diminuição da criminalidade e violência.

    Além disso, se discutem reformas que possam criminalizar menores como adultos, na esperança de que a perspectiva de encarceramento reduza os incentivos para a criminalidade. A evidência existente para o Brasil sugere que não há uma redução significativa de homicídios quando jovens passam de 18 anos, e podem ser julgados como maiores de idade. Num país de instituições fracas, com alta colusão entre a polícia e o crime organizado, a política de encarceramento fortalece o crime organizado que domina as prisões e forma novas gerações de bandidos com altos custos para a sociedade, como sugere o cientista político Ben Lessing.

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    Claudio Ferraz é professor da Vancouver School of Economics, na University of British Columbia, Canadá, e do Departamento de Economia da PUC-Rio. Ele é diretor científico do JPAL (Poverty Action Lab) para a América Latina. É formado em economia pela Universidade da Costa Rica, tem mestrado pela Universidade de Boston, doutorado pela Universidade da Califórnia em Berkeley e foi professor visitante na Universidade de Stanford e no MIT.

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