Coluna

Escola sem noção

    Certos partidos estão tentando transformar as escolas em palanques. Mas não sei se são os mesmos que você imagina

    Não existirá esperança para o Brasil enquanto não houver uma revolução na qualidade da educação. Temos um dos piores sistemas educacionais do mundo, que forma uma maioria de estudantes sem conhecimentos básicos de português e matemática. Nenhum país conseguiu dar um salto de desenvolvimento sem antes construir um sistema acessível de ensino, que forme cidadãos capazes de dar rumo ao país e uma força de trabalho bem preparada.

    Trata-se de uma constatação quase consensual, aliás. Esquerda e direita concordam que a educação tem que melhorar, sindicatos e grandes empresários, pais e alunos, professores e políticos. Isso é bom: para que a revolução educacional possa acontecer, é necessário que haja uma participação da sociedade inteira.

    Especialistas de esquerda e de direita concordam que uma educação pública suficientemente boa é uma peça fundamental no sistema educacional de qualquer país – sem isso, só os ricos podem estudar e o resultado inevitável é um país injusto, com força de trabalho de baixa qualidade, incapaz de inovar e de crescer. Tanto é assim que raríssimos países desenvolvidos dão boa educação pública a menos do que 80% da população – nos Estados Unidos, são 92%. Mas uma boa educação tampouco é responsabilidade só do governo. Países onde o ensino tem qualidade realmente alta são aqueles que conseguem envolver a sociedade toda no trabalho coletivo de educar as novas gerações. Boas escolas não são isoladas de suas comunidades: elas são abertas para que todo mundo que tenha algo a ensinar possa transmitir o que sabe para as gerações seguintes. É fundamental também que os pais acompanhem muito de perto a jornada dos seus filhos, em diálogo constante com a escola.

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    Denis R. Burgierman é jornalista e escreveu livros como “O Fim da Guerra”, sobre políticas de drogas, e “Piratas no Fim do Mundo”, sobre a caça às baleias na Antártica. É roteirista do “Greg News”, foi diretor de redação de revistas como “Superinteressante” e “Vida Simples”, e comandou a curadoria do TEDxAmazônia, em 2010.

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