Coluna

Ela tinha 13 anos de idade

    Qual é a memória que os colegas de Maria Eduarda terão dessa escola quando se tornarem adultos? Como estimular possibilidades para pessoas que dormem cobertas de tiros e se formam em espaços onde voltar para casa com vida não é mais uma certeza?

    Não é de hoje que o Rio de Janeiro, reconhecida mundialmente como cidade maravilhosa, vive em um constante estado de turbulência. Uma parcela significativa dos cariocas que vivem às bordas da gema, não se assustam tanto assim ao receberem notícias de tiroteio em algum lugar da cidade. É quase como dizer: amanhã de manhã vai amanhecer. Ou qualquer outra coisa óbvia e monótona ditas em conversas de elevador. A violência já faz parte do DNA da cidade.

    Os Complexos da Maré e Alemão, com chacinas pouco noticiadas, a Baixada Fluminense convivendo com um aumento de armas e violência nunca antes visto. Este parágrafo não teria fim se a intenção fosse mapear todos os picos de violência no Rio de Janeiro.

    O fato é que nessa semana que passou, o clima na cidade estava estranho. Um grito preso na garganta com tantas barbaridades acontecendo. Se antes os jornais de cinquenta centavos pingavam sangue ao serem torcidos, hoje as timelines das redes sociais viraram um grande obituário digital. Pelo menos nos meus algoritmos: não paravam de chegar notícias de violação de direitos humanos em muitas escalas, além de mortes seguidas de mortes causadas, principalmente, pelo Estado.

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    Yasmin Thayná é cineasta, diretora e fundadora da Afroflix, curadora da Flupp (Festa Literária das Periferias) e pesquisadora de audiovisual no ITS-Rio (Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro). Dirigiu, nos últimos meses, “Kbela, o filme”, uma experiência sobre ser mulher e tornar-se negra, “Batalhas”, sobre a primeira vez que teve um espetáculo de funk no Teatro Municipal do Rio de Janeiro e a série Afrotranscendence. Para segui-la no Twitter: @yasmin_thayna

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